quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Toniolo Vive! - 2

Foi só eu lembrar o figuraço que foi o Toniolo para choverem manifestações de amigos comuns, relembrando outras passagens da vida deste personagem petropolitano que virou figura lendária da cidade. Descobri até que existia um site, com histórias em quadrinhos (toniolopichador.com.br), sobre as peripécias do amigo que conhecíamos por Aranha. Descobri também que o nosso bom Toniolo tem mais de 460 referências no Google, entre as quais uma musica que virou o hit em 2007 da banda Baby Doll, que se vangloria de ter inventado o “rock pornô”. (E eu que pensei que já tivesse visto tudo nesta vida). A música “Quem? Toniolo” não tem nada de pornografia, mas é uma exaltação ao rei da pichação, na sua versão mito. De acordo com os roqueiros, “Quem?Toniolo carrega a "identidade sonora" da banda, praticamente uma fusão do hard rock com o punk! Vai um trecho e o refrão:

Muros pichados, cartazes colados, cruzando o Estado
Ele vai se manter
Gênio maldito, um tipo esquisito, a lenda, o mito
Que todos querem ser
É procurado, um cara marcado, que já foi caçado
Agora eles vão ver
Luta sozinho, procura um caminho, espeta o espinho
Nos donos do poder

(Refrão)
Toniolo!!!
Diz pra mim qual é teu nome, o teu jogo
Quem é? Toniolo!!!
Cruzando a noite como um risco de fogo

Confesso que desconhecia essa música e outras citações ao Toniolo, inclusive em artigos, monografias e teses de mestrado. Assim, em letra, música, quadrinhos e outras manifestações, começa a se fazer justiça a um pioneiro, a um homem devotado a uma causa: a pichação de seu próprio nome em prédios, muros, calçadas e monumentos. É o momento de resgatar também a história de sua pichação mais audaciosa que cheguei a referir na crônica anterior, admitindo não saber se tinha sido bem-sucedida. Pois, fui pesquisar e encontrei uma matéria do site Terra, de 2006, que conta o episódio em detalhes:

Além de usar adesivos e pandorgas com o próprio nome (incluindo uma versão com lâmpadas, para exibições noturnas), Toniolo inovou ao avisar com antecedência seus ataques.
Em janeiro de 1984, último ano do regime militar no Brasil, ele anunciou no programa Guaíba Revista, então apresentado por Lasier Martins na rádio Guaíba AM:
- No dia 17 deste mês, às cinco da tarde, vou pichar o Palácio Piratini.
A notícia repercutiu. O então governador, Jair Soares, não quis pagar para ver, e colocou dezenas de policiais militares de prontidão em frente ao prédio. Para identificar o pichador, havia uma foto 3X4 obtida nos arquivos da polícia civil, onde ele trabalhara 17 anos. O retrato, defasado, mostrava-o cabeludo.
Na hora marcada, ninguém suspeitou do homem calvo que saía da Catedral Metropolitana e se dirigia à sede do governo, distante 50 metros.
- "Boa tarde, irmãos!"
A saudação confundiu os brigadianos, que deixaram passar quem eles acreditavam ser algum padre da paróquia. Tarde demais: Toniolo conseguiu pichar as letras T, O, N, I, O... assim que concluiu o "L", foi detido (foto). Deu tempo até para colocar o pingo no "I".
Encaminhado no mesmo dia ao Hospital Psiquiátrico São Pedro, para avaliação, mais uma vez ele driblou seus captores. "Eu conhecia o pessoal do hospício, pois levava muita gente lá quando trabalhava no Estado". Assim que chegaram ao famoso endereço na avenida Bento Gonçalves, adiantou-se vários passos à frente da dupla de policiais civis que o conduzia e, espertamente, alertou na recepção:
- Estou trazendo dois dementes com "mania de policial": segurem-nos, enquanto vou buscar os documentos que esqueci na viatura, e tomem cuidado, pois eles são perigosos!
Com a inversão de papéis, os plantonistas correram em direção aos agentes, agarrando-os como se fossem mais dois candidatos à camisa-de-força. Quando desfeito o equívoco, era tarde demais. O ex-escrivão tinha escapado pelos fundos do prédio.
Em novembro do mesmo ano, ele divulgou que sua próxima investida seria contra o Palácio do Planalto, mas foi preso logo após deixar Porto Alegre no ônibus que o levaria a Brasília/DF. "Dessa vez, eu sabia que seria preso, e o objetivo era esse mesmo", revela. O mais incrível é que, até hoje, não se sabe como o nome "Toniolo" foi aparecer pichado no mesmo local e data prometidos.”

Pelo relato, já deu para perceber que o homem era fera. Só que, para mim, ainda está em aberto a principal questão: onde anda o Toniolo?