sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Dia do Profissional da Adrenalina

* Publicado originalmente em 08/12/2013

Militei (gosto do termo) mais de 25 anos na chamada crônica esportiva. Comecei na Zero Hora, passei pela Folha da Tarde, trabalhei na Rádio e  TV Difusora (hoje Band), nas rádios Guaíba e Gaúcha, duas vezes em cada veículo, e encerrei esse ciclo na RBS TV/TVCom. Fui repórter e editor de jornal, editor e coordenador de rádio e TV, mas nunca me aventurei no microfone nem no vídeo. Achava que não tinha perfil pra isso, o que foi uma bobagem porque até a desenvoltura diante do público a gente aprende. Mas preferi me especializar nas ações da retaguarda da operação que envolve a cobertura esportiva, no dia a dia e nos grandes eventos.  Muito me orgulho também de ter atuado, por um bom período, na Associação Gaúcha de Cronistas Esportivos (Aceg), da qual só não fui presidente.

Aprendi muito neste período, até porque tive mestres inspiradores. Gente como o Armindo Ranzolin, um gigante ao qual presto meu reconhecimento e que, por feliz coincidência, faz aniversário nesta data; ao Ari dos Santos, que parecia ter a fórmula das polêmicas nos programas de debates; e,  nos jornais, meu guru Nilson Souza e um grande editor, ao qual devo minha reciclagem para o impresso, o Emanuel Mattos. Claro que aprendi muito com outros companheiros e pra mim o aprendizado é permanente, mas faço questão de destacar os quatro profissionais porque realmente representaram muito na minha carreira. E em nome deles saúdo todos os que fazem da cobertura do esporte sua vocação e missão no jornalismo neste 8 de dezembro em que se celebra o Dia do Cronista Esportivo.

Comemorado no mundo inteiro, registros nada confiáveis creditam a data a Aulus Lépidis, que seria o primeiro cronista esportivo ao descrever num  8 de dezembro  um duelo entre escravos e leões, no jornal Acta Diurna, de Roma. Aulus  acabou ele mesmo devorado por animais famintos, jogado às feras por Marcelus Brunos, o domador dos leões, cuja esposa teria um caso amoroso com o primeiro mártir do jornalismo esportivo., que coisa, hein!

Fico pensando em como essa história seria contada pela imprensa esportiva da época e tenho certeza de seria uma cobertura ágil, detalhada, emocional e opiniática, com muita adrenalina, portanto,  porque esses atributos – positivos ou negativos – fazem a essência da atividade. A verdade é que a crônica esportiva já nasceu sob o signo da controvérsia e isso é inevitável em se tratando de uma editoria que envolve competições e rivalidades – vide o nosso Grenal.

Não conheço cronista esportivo que não seja apaixonado por seu trabalho e aos que ficaram e aos que virão meu reconhecimento e um abraço parceiro. Boa adrenalina  pra vocês!



segunda-feira, 27 de novembro de 2017

O homem mais importante de Petrópolis


 
Minha avó paterna, dona Tarsila, também conhecida na família como Boneca, era  fâ de Érico Veríssimo, vizinho dos Dutra na parte alta da rua Felipe de Oliveira, no bairro  Petrópolis.  Ela já tinha lido todos os livros do escritor até  então publicados, na década de 40 do século passado, e alardeava para a  filharada e a  vizinhança:

- O Érico é o homem mais importante de  Petrópolis.

O  que ela não contava era com a forte oposição da filha mais  nova, minha tia  Vanda, que tinha oito ou nove anos e contestava a afirmativa materna:

- O homem mais importante do bairro  é o papai, -  dizia  a  guria, hoje uma lucida senhora octogenária, a  recordar a história  num encontro do clã.

- Mas por que tu achas que teu pai é mais  importante que o  Érico. – insistiu vó Tarsila.

- Porque papai tem curso superior o seu Érico não, nossa casa é maior que a dele, o papai tem carro oficial  na garagem e é amigo do presidente Getúlio Vargas, - argumentou tia Vanda.

Vicente Dutra, o pai da Vanda e meu avô, era formado em Medicina, mas já não exercia a profissão; fora prefeito de Iraí, construíra o balneário de termas que acabou virando cidade e ganhou seu nome no Norte do estado;  o carro preto na garagem era a mordomia  a que tinha direito  como diretor regional da Caixa Econômica Federal, nomeação direta  de seu amigo Getúlio Vargas.  E Érico Veríssimo, como se sabe, era filho de um boticário e ele mesmo um dono de  farmácia falido em Cruz Alta, que só conseguiu a estabilidade financeira  como diretor da Revista do Globo quando se transferiu para Porto  Alegre.  Ou seja, na visão da pequena vizinha, não fazia frente ao status e a situação financeira do seu amado pai.

Eis que a polêmica na morada dos Dutra chegou aos  ouvidos  de Érico por meio de uma amiga comum. Coube ao próprio escritor dirimir a dúvida no dia em  que bateu à  porta dos vizinhos e foi atendido por uma surpresa  Vanda:

- Minha criança, tens toda  a razão:  teu paí é o homem mais importante de Petrópolis, -  reconheceu o  generoso  Érico.

Em seguida presenteou dona Tarsila com um livro autografado, provavelmente "Olhai os Lírios  do Campo", obra que jamais foi localizada na morada da  Felipe de Oliveira -  uma construção à antiga,  que ainda hoje existe em frente à  caixa d´água da pracinha na esquina com a rua Borges do Canto.( Detalhe: a pracinha recebeu o nome de Mafalda Veríssimo, companheira de Érico por toda  a  vida).


O gesto de Érico, mais do que generosidade com uma criança, pode estar relacionado  com as diferenças  entre o seu  comportamento reservado, mais as dificuldades financeiras que a família  enfrentou,  e as atitudes de  seu pai  Sebastião, homem gastador e  mulherengo,  conforme relata no autobiográfico "Solo de Clarineta". Como não prestigiar a menina que, diferente dele, idolatrava o pai,  considerando-o tão maior que o já consagrado escritor?

Apesar disso, alguns anos após, Érico passou a se queixar das moças Dutra, que não o cumprimentavam mais. “Essas Dutras estão muito exibidas”, teria dito o escritor e o reclamo foi levado à dona Tarsila, que questionou as filhas:

-  Nós estudávamos  no Colégio Sevigne e as freiras  nos disseram para ficar longe do Érico, que teria escrito livros obscenos,- explica hoje, entre risos, a tia Vanda.

- Aí a mamãe disse que não era para dar atenção às freiras e que devíamos  cumprimentar, sim, o vizinho nas caminhadas dele pelo bairro, junto com dona Mafalda .-  acrescentou.

E assim a cordialidade e a civilidade voltaram a reinar na Felipe de Oliveira.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Black Friday à Flávio Dutra

Sou daqueles que não resistem a uma oferta.. Imaginem o meu frisson com as promoções tipo Black Friday.  Nem a barulheira dos comerciais da TV anunciando todo o tipo de ofertas consegue aplacar minha voracidade consumista. Nos jornais, confiro os anúncios e os encartes e vou selecionando mentalmente o que tem potencial para ser adquirido. Não interessa a utilidade e a necessidade, porque oferta é oferta e assim se move o sistema . Adiro à onda por impulso, como convém ao comércio.

Por exemplo, fiquei de olho numa betoneira  de 130 litros, com  protetor de cremalheira, a R$ 949,00 à vista, um desconto de R$ 130,00. Também me agradou a serra circular, com rodinhas para transporte, equipamento profissional, a  R$ 799,00 à vista, ou em 12 x de R$ 75,00.  Achei  irresistível a oferta de vaso sanitário, com caixa acoplada, mas sem assento, a R$ 189,00, assim como a inversora de solda, tipo turbo, a R$ 539,00. Pena que é 220 volts. Mais os porcelanatos, acetinados e retificados, a R$ 29,90 o m2, se bem que vou precisar de massa corrida niveladora, encontrável a R$ 45,90 o balde de 26 kg, que pode ser reaproveitado.  Ofertas e mais ofertas.

Não, não estou fazendo reformas em casa, nem pensando em investir na construção civil, mas, como expliquei, não resisto a uma promoção. Por isso, sou tentado, ainda, a comprar aquelas cuecas boxer, diversas cores, a R$ 6,90, uma caixa térmica 20 litros a R$ 39,90, bonecas Barbie Fashion para as netas a R$ 14,90, cadeira tubular alta a 28,90 para desfrutar junto da piscina inflável de 1.000 litros – afinal, o verão está aí -  a incríveis R$ 99,90.


Desse jeito, lá se vai meu 13º salário, mas não consigo deixar de participar do evento promocional, quando mais não seja para dar minha contribuição ao incremento da economia do país.  A rigor, dos itens selecionados, só terei utilidade imediata para a caixa térmica, eis que minha verdadeira inserção no Black Friday será comprar um ou dois fardinhos daquela maravilhosa cerveja Pilsen, em lata de 350 ml, que está anunciada a R$ 2,88. É que não resisto a uma oferta, ainda mais de cervejas de qualidade.

sábado, 11 de novembro de 2017

Miniconto

Era tão politicamente correto que nas abordagens ao sexo oposto, perguntava:  "Permite um assédio?"

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Minha lista na Feira: omissões imperdoáveis


A Feira do Livro de Porto Alegre deste ano tem tantos eventos e lançamentos interessantes, especialmente de parceiros próximos, que cometi  imperdoáveis omissões quando citei, em texto anterior, as obras que vão compor minha sacola de aquisições e as presenças nas sessões de autógrafos.

Ladies first, começo com a queridona Marta Dueñas, poetisa de talento, mas que nesta quinta-feira, 2/11 estará envolvida com a obra “Empreendedorismo Feminino,  protagonistas de mossas vidas”, com autógrafos às 17h30. As organizadoras são Letícia Hoppe e Ionara Rech.  A Martinha é uma das protagonistas, corajosa empreendedora que é na Nano Biz Tools, além de qualificar esteticamente com sua presença qualquer evento. Perguntei a ela se representantes masculinos podem comparecer à sessão e como a resposta foi afirmativa, lá estarei.

Caco Belmonte, Paulo Motta,  Lucas Barroso e Isaac Menda que me perdoem, mas não vou lhes dedicar o mesmo espaço e elogios dirigidos à Martinha. O Exu Literário Caco Belmonte, que andava sumido das letras, reaparece com o título  “Lambuja”. As informações prévias sobre a obra – “um livro que tem história aparente e história subterrânea” – só aumentaram meu interesse para a sessão de autógrafos, dia 12, às 19h30. Vou querer saber, pra começar, como a lambuja entra na narrativa, que se promete densa.

Do Paulo  Motta e seu “As Crônicas da Pílula Lilás” as expectativas corresponderam porque já conheço a obra. O Motta, presidento  - ou será rei? – da república fictícia – ou será reino? – de Bulhufas é dono de um texto único e delicioso. Não canso de dizer que eu tenho inveja branca, preta e cinza do estilo dele, que teve no “Pandegas & Galhofas”, que me fazia rir sozinho, a primeira incursão literária. “Crônicas”, da Farol3 Editora, tem sessão de autógrafos no mesmo dia 12, só que às 17h30.

No dia 14, às 19h30, vou aos autógrafos de “Um silêncio Avassalador “, do Lucas Barroso, ex-colega na Prefeitura de Porto Alegre e o cara que me empurrou para tornar realidade a produção do “Crônicas da Mesa ao Lado”. É um baita parceiro e um baita escritor. Autor do romance “Virose”, a nova obra do Lucas é um livro de contos, dos quais tenho lido elogios ao conto “Quando fui puta”, que seria o ponto chave de tudo. Volto a dizer: reina grande expectativa.

No mesmo dia e horário do Lucas Barroso, o Isaac Menda autografa seu “Caminhos de Leite e Mel”, que já comecei a ler e recomendo. Advogado e cronista, Menda relata a trajetória de uma família, o clã Castile – a inspiração é sua própria família – desde a Inquisição espanhola até a chegada dos descendentes em novos países. A pesquisa bibliográfica valoriza o resgate feito pelo Menda.

São tantas os destaques na Feira – e espero não ter omitido nada mais – que não posso esquecer da sessão de autógrafos do  Dueto, parceria com minha querida Indaiá Dillenburg. Será no dia 16, das 18h30 às 19h30.


terça-feira, 31 de outubro de 2017

Minha lista na Feira

Vem aí mais uma Feira do Livro em Porto Alegre e já reservei os reais que investirei em bons livros, que entrarão na fila para serem consumidos.  Minha lista começa com novos autores, como a jornalista Kátia Hoffman com seu  “Milton Ferreti Jung: gol, gol, gol”, e o ex-companheiro de outras jornadas, Claiton Selistre, e suas “Anotações de um jornalista”, ambos com obras de certa forma  focadas em temas da Comunicação, com  a expectativa  do resgate de boas historias. 

Dividi cigarros, cafezinhos e produções de programas esportivos com o Milton Jung, isso na década de 70 na velha Rádio Guaíba da Caldas Junior. O Milton, para quem não sabe, além da voz que marcou época no Correspondente Renner e nas narrações de futebol  -  onde surgiu o “gol,gol,gol -  é dono de um texto irretocável.  Certamente ele vai estar na sessão de autógrafos marcada para o dia 15/11 às 17h30 e vou aproveitar para abraçá-lo.  Farei o mesmo com o Claiton, que vai autografar no mesmo dia e horário. Atualmente em Santa Catarina, ele construiu uma bem sucedida carreira de gestor em veículos de Comunicação e deve revelar muitos bastidores das suas vivencias com a diversificada fauna da comunicação.  Pelo que me antecipou, uma das histórias em envolve. Reina grande expectativa, como dizíamos antigamente, antes dos grandes jogos.

Estou preparado para prestigiar também o livro de um jovem que vi crescer no jornalismo esportivo e depois em assessorias de imprensa, o Vitor Bley de Moraes que lançou juntamente com  o filho João Vitor, de apenas 9 anos,  o livro "A Magia da Bola de Meia". Já adquiri dois exemplares, devidamente autografados para as netas Maria Clara e Rafaela. Na Feira, a sessão de autógrafos da dupla será no dia 11/11, às 14h30.

Já adquiri também o “Noite Adentro”, do Tailor Diniz, romance ambientado na fronteira Brasil e Uruguai e mais não conto, mas ressalto que seu livro anterior, o suspense  “A superfície da Sombra”  foi transposto para o cinema sob a direção do competente Paulo Nascimento.  Como não pude comparecer ao lançamento vou à sessão de autógrafos de “Noite Adentro”  na Feira dia 8/11, às 19h30.  Pena que não vou poder ir aos autógrafos da queridíssima e agora tele global Claudia Tajes, com seu “Dez (quase) Amores + 10”. Tenho compromisso familiar importantíssimo na mesmo dia e hora – 6/11, às 17h30. Mas o livro da Claudia vai para minha lista, assim como o “Travessia”, da bela e talentosa Letícia Wierzchowski (acertei o sobrenome!), mas não tenho informação se vai ser lançado na Feira.  Se é da Letícia e da Claudia devem ser tudo de bom, como outra potencial aquisição, “O que você nunca deve perguntar a um americano”, do meu cronista preferido, David Coimbra, que também desconheço se estará presente na Feira.
 
Por último reservei uns cobres para levar “Homo Deus, uma breve historia do amanhã”, de Yuval Harari, mesmo autor do mega sucesso “Sapiens, uma breve história da humanidade”, que estou lendo fascinadamente. ‘Homo’ é uma sequencia de “Sapiens” o que por sí só recomenda a compra e a leitura.
 
Só dessa lista acrescentarei oito títulos a minha biblioteca, sem contar os desgarrados que possam me interessar, além de algumas preciosidades que sempre resgato dos balaios de ofertas. Sou, confesso, um acumulador de livros e me angustia pensar que não conseguirei ler todos os que estão na lista de espera. Mesmo que concorde com o slogan da 63ª Feira do Livro de Porto Alegre – “tempo pra ler, todo mundo tem” – o desafio que preciso enfrentar é frequentar menos as redes sociais e dar mais atenção à literatura. Para que isso se concretize, roguemos com fervor.