sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Bobagens da Internet: promessa de colorado

(Caso o Grêmio empate ou vença o Flamengo)

EU , COLORADO , PROMETO :

1- Não direi mais que a analvalanche é coisa de viado

2- esquecerei a história da poltrona 36 , direi que é mito

3- valorizarei a batalha dos aflitos , achando o maior feito de um clube gaúcho

4- pediremos para a direção começar os grenais com 3 a zero para o grêmio (para dar graça aos jogos )

5- direi para meus filhos que a toyota cup valia a mesma coisa que um título mundial

6- direi para meus filhos que clube grande também é rebaixado para a série b

7- nunca mais chamaremos a geral de coligay e também apagaremos da memória tal torcida

8- se vcs quiserem , poderemos chamá-los de Boca Junior !!!

9- ajudaremos com tijolos para a contrução da arena fantasma

10 - deixaremos vcs ganharem alguns grenais para equilibrar a rivalidade (assim como gauchões )

11- diremos a todos que De Leon sangrou a testa em uma batalha campal contra argentinos, pois não foi um imbecil que colocou a taça na cabeça onde tinha um parafuso

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

CAPITU REDIVIVA: RELAÇÃO ROTULADA

* Nosso amigo revela mais um capítulo da história da sua conturbada relação com Capitu Rediviva:

Quando brigavam, o que era constante, Capitu não economizava rótulos para destratá-lo. Era um tratamento capaz de fazer inveja a mais vil das criaturas –, ele não se considerava uma criatura vil e se incomodava com esse tratamento. Afinal, achava que eram faces diferentes da mesma moeda, tinham quase os mesmos defeitos e virtudes. Achava ainda que, quando a gente se apropria do coração de alguém, recebe também um bônus negativo – os defeitos do parceiro. E estava convencido que não tinha tantos defeitos assim para merecer aqueles adjetivos pejorativos. Da amargura, passou ao contra-ataque:

- Despótico, acusava ela.
- Autoritária, retrucava ele.
- Cínico.
- Dissimulada.
- Insensível.
- Egoísta.
- Orgulhosa.
- Manipulador.
- Ressentida.
- Vaidoso.
- E tu com esse nariz empinado.

O repertório era imenso e usado integral e preferencialmente nos tempos de crise. As crises tinham sua graduação, desde aquelas em que ficavam ambos emburrados por um certo tempo até as que os mantinham afastado por uma semana ou mais. Os motivos eram os mais banais possíveis: uma frase mal colocada, uma palavra fora de contexto ou um gesto incompreendido. No fundo, enfrentavam um sério problema de comunicação, porque ele não conseguia alcançar os mistérios da mente feminina e ela, por sua vez, tinha expectativas em relação ao comportamento dele que ele não conseguia atender. Tudo isso agravado pela diferença de idade.

Com o tempo, ele aprendeu a se policiar, o que significava dizer menos asneiras após o sexo, o momento crítico nas relações entre eles. Não era para ser assim, afinal o sexo era o que de melhor tinham a oferecer um para o outro. Mas foram incontáveis às vezes em que a noite terminou com nariz torcido de parte a parte, depois daquele momento mágico de relaxamento no fim da transa. Ele não conseguia a entender porque ela agia daquela maneira, enclausurando-se por causa de uma bobagem qualquer que ele dizia. Só o que ele queria nesses momentos era extravasar a euforia que estava sentindo por mais uma transa gostosa. Capitu, entretanto, se ofendia com as banalidades que o parceiro dizia.

Foi aí que ele começou a desenvolver uma tese perigosa. A tese é de que ela ficava excessivamente sensível após a transa porque, no fundo, estava arrependida de estar ali com ele e a maneira de expressar a contrariedade era a birra. O mais fácil seria debitar o comportamento dela à TPM, mas as oscilações de humor passaram a ser tão freqüentes que ele descartou essa hipótese. Poderia ser também uma forma de temperar a relação, até porque as crises surgiam quando estavam na melhor fase da comunhão - o que deixava ele ainda mais amargurado. Ele havia investido muito naquela relação e por vezes ela saia de controle. Acostumado a ter o controle de todas as situações ele se estressava quando isso não acontecia.

Como dominar todas as personnas que coexistiam naquela mulher? Ela mesma, parafraseando a letra de uma música de sucesso, declarava que eram 300. Uma só às vezes já era um saco, imagina 300, a infernizar a vida do pobre coitado. Menos mal que todas gostavam de transar e se transformavam em uma só personalidade erótica na hora dos jogos sexuais.

Também é verdade que os dois estavam em permanente competição, embora de forma velada. Ela se queixava de que ele estava sempre julgando as pessoas, e ele achava que se ela julgava ele dessa maneira é porque agia da mesma forma - emitindo julgamentos sobre tudo e sobre todos. Assim, da ocupação dos mesmos espaços comportamentais, nasciam os conflitos. E nenhum dos dois queria ceder um milímetro nas suas convicções.

A soberba dela era outro defeito que ele tinha dificuldades de suportar, enquanto ela simplesmente detestava a capacidade dele de discorrer sobre banalidades. No entanto, esse traço do temperamento dele era mais inofensivo do que essa outra personna dela e, por isso mesmo, fazia menos mal à relação. A tal de soberba se manifestava sempre que falavam de assuntos que ela dominava, como por exemplo, na ocasião em que respondeu irada a uma mensagem dele e gastou metade da mensagem para explicar o emprego do verbo ter , que utilizou num bilhete ao invés de usar o verbo fazer. Aí é duro de agüentar. “Ah, se ela não fosse tão boa de cama”, resignava-se o nosso amigo.

Recomendo

As Crônicas de Praia no exuliterato.blogspot.com, by Caco Belmonte.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O atendedor de chamadas dos avós:

(Copiei do Previdi.com porque já estou me preparando para essa fase)

- Bom dia! De momento não estamos em casa mas por favor deixe-nos a sua mensagem depois de ouvir o sinal sonoro:
- Se é um dos nossos filhos, disque 1
- Se precisa que lhe guardemos as crianças, disque 2
- Se quer que lhe emprestemos o carro, disque 3
- Se quer que lavemos a roupa e a passemos a ferro, ou que busque a roupa na lavanderia, disque 4
- Se quer que as crianças durmam aqui em casa, disque 5
- Se quer que os vamos buscar à escola, disque 6
- Se quer que lhe preparemos uns bolinhos para domingo, disque 7
- Se querem vir comer aqui em casa, disque 8
- Se precisam de dinheiro, disque 9
- Se é um dos nossos amigos, pode falar!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Quando eu era milionário - final

*Recomenda-se ler a postagem anterior

Então, em 1994 veio o Plano Real. E eu que estava cobrindo a Copa do Mundo nos Estados Unidos acabei não sofrendo o primeiro impacto do novo plano. As informações vindas do Brasil davam conta que, depois de sucessivos planos econômicos malsucedidos, havia uma justificada desconfiança da população.

De volta a terrinha, a primeira coisa que fiz ao chegar no Galeão foi trocar dólares por reais e aí tomei contato com aquelas notas feias, diferentes uma das outras, eu que estava quase americanizado depois de 55 dias nos EUA, pagando e recebendo em verdinhas. Economizei uma boa grana em dólares naquela viagem, mas mesmo assim não levei vantagem porque no início do Plano Real o dólar valia tanto quanto a nova moeda brasileira. Era 1 por 1.

E lá se foi mais uma chance de reiniciar a vida de milionário.Fiquei curtindo essa frustração até que descobri no site da Fundação de Economia e Estatística (www.fee.tche.br) um programa que converte os valores monetários, atualizando-os no tempo. E constatei que a minha condição de milionário no passado era pura ilusão, fruto da mágica operada nas trocas de moedas, que perdiam zeros para passar a impressão que o nosso dinheiro se fortificava.

Os mais de 60 milhões que recebi em 1985, na verdade, equivaleriam hoje a pouco mais de 57 mil reais, ou 4,3 mil reais/mês, um salário nada desprezível. Os 5,2 milhões de 1991 seriam, em valores atuais, cerca de 30 mil reais. O Passat que vendi por 2,7 milhões em 1992 valeria hoje, só para efeito de exercício financeiro, uns 6,7 mil reais. A mensalidade da creche que custava 15 mil cruzados ficaria por 194 reais e a escola que cobrava 29 mil cruzados novos receberia hoje, se os proprietários não fossem gananciosos, exatos 208 reais.

Como se observa, nem precisa ser versado em macroeconomia para constatar a equivalência nos valores entre um período e outro, o que me leva a outra constatação: havia muito de efeito psicológico na tal de inflação. Mesmo assim, não sinto saudades daquele tempo. Prefiro a estabilidade de agora que me assegura um amanhã sem surpresas.

No quadro abaixo é possível visualizar melhor o que já enfrentamos em termos de mudanças de padrão monetário. De 1967 a 94 foram sete planos, ou quase uma mudança a cada quatro anos:


Quadro 1 - Mudanças no padrão monetário brasileiro

ANO MÊS MOEDA SÍMBOLO EQUIVALÊNCIA
1942 Out Cruzeiro Cr$ Rs 1$000 (um mil réis)
1967 Fev Cruzeiro Novo NCr$ Cr$ 1.000,00 (um mil cruzeiros)
1970 Mai Cruzeiro Cr$ NCr$ 1,0 (um cruzeiro novo)
1986 Fev Cruzado Cz$ Cr$ 1.000,00 (um mil cruzeiros)
1989 Jan Cruzado Novo NCz$ Cz$ 1.000,00 (um mil cruzados)
1990 Mar Cruzeiro Cr$ NCz$ 1,00 (um cruzado novo)
1993 Ago Cruzeiro Real CR$ Cr$ 1.000,00 (um mil cruzeiros)
1994 Jul Real R$ CR$ 2.750,00 (dois mil setecentos e cinqüenta cruzeiros reais

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Quando eu era milionário - parte 1

Jornalista tem mania de guardar papéis, recortes de jornal, contas pagas, documentos e similares na esperança de que um dia vai organizar tudo e que aquele manancial terá alguma utilidade. Ledo Ivo engano. A papelada acumulada serve apenas para atrair poeira, mofo e traças.

A importância que determinado documento tinha há 15 ou 20 anos se diluiu no tempo e o artigo de jornal que causou tanta polêmica perdeu seu valor. Com os recursos da informática nem faz mais sentido manter um arquivo físico nos moldes antigos.

Pois semana passada decidi enfrentar o desafio de vasculhar meus guardados para uma sessão de descarte e encontrei verdadeiras preciosidades. Descobri, por exemplo, que já fui milionário. A descoberta se deu quando encontrei a declaração de renda de 1985, atestando que eu recebi naquele ano a fortuna de 60 milhões, 286 mil cruzeiros, o que representava, em média, um salário de mais de 4 milhões e 600 mil por mês. Uma Mega Sena acumulada! Só o Imposto de Renda me mordeu em mais de 6 milhões e 700 mil retidos na fonte e ajudei a diminuir o déficit da Previdência contribuindo com 5 milhões e 400 mil.

E havia ainda a confusão com a troca de moedas.Em 1988, por exemplo, pagava 15 mil cruzadosde mensalidade na creche de um dos filhos e, no ano seguinte, 29 mil cruzados novos para outro numa escola particular. Uma verdadeira fortuna.

Devo ter empobrecido com o passar dos anos, pois em 1991 recebi míseros 5 milhões, 279 mil cruzeiros. No ano seguinte fui obrigado, inclusive, a vender um Passat, ano 78, por 2 milhões e 700 mil cruzeiros. Era dura a vida de milionário naqueles tempos de inflação galopante.

O poder aquisitivo ficava corroído da noite para o dia. A moeda ganhava novo nome a cada plano econômico, mas a desejada estabilidade durava pouco tempo ou era mantida artificialmente. Os preços eram remarcados todos os dias e o valor de hoje já não vigorava no dia seguinte. O overnight, uma aplicação bancária corrente na época, dava alguma proteção aos nossos ganhos e fez a fortuna de muitos espertalhões. Para se ter uma idéia de como funcionavam as contas públicas, o governo Collares (1990-94) se financiou graças à inflação alta: era só atrasar, sem correção monetária, o pagamento aos fornecedores por um mês ou pedalar o aumento do funcionalimo e o caixa estava garantido.

A empresa onde trabalhava na época decidiu, para preservar minimamente o poder aquisitivo dos funcionários, pagar os salários a cada 15 dias e depois semanalmente. Um expediente comum era o cheque pré-datado que permitia algum fôlego às finanças pessoais. Era comum também o pedido de antecipação de parte do 13º salário porque o montante no final do ano, com a correção monetária, ficava recomposto e ainda garantia-se um plus nos ganhos.

E assim sobrevivíamos quase numa boa, acostumados a espiral inflacionária, consumindo um pouco aqui um pouco ali, administrando as contas, fazendo ginástica com os salários e até planos para o futuros, na certeza de que mais dia menos dia nossa moeda deixaria de nos envergonhar.

Então, em 1994 veio o Plano Real.

(continua)