segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Vidro fumê

Existe muita controvérsia em relação ao vidro fumê, especialmente na sua aplicação tipo insulfilm para carros. Inclusive sei de casos em que o tal insulfilm interferiu em relacionamentos amorosos, como relatarei mais adiante.

Quem defende o escurecimento dos vidros dos automóveis alega questões de segurança e mesmo uma forma de burlar as leis de trânsito. Os assaltantes evitariam abordar carros com insulfilm, receosos das surpresas que poderiam encontrar entre os condutores e passageiros. Tenho minhas dúvidas porque depois de se apossar do veículo, talvez com apavorados passageiros dentro, o meliante teria a proteção dos vidros escurecidos para impedir o reconhecimento da sua ação criminosa.

Também não me associo aos que encontram no vidro fumê o salvo-conduto para burlar a lei, no caso usar e abusar do celular em pleno tráfego, sem ser flagrado. É uma conduta reprovável.

Bem que o Conselho Nacional de Trânsito tentou regulamentar o uso do insulfilm. A lei estipula que o pára-brisa precisa ter 75% de visibilidade, ou seja, a película pode escurecer no máximo 25%. Já para os vidros laterais dianteiros o limite é de 70% e, para os vidros laterais traseiros e traseiros, de 50%. De acordo com a lei, o motorista que desobedecer a esses limites pode ter o veículo apreendido, além de ser multado em R$ 125 e ainda perder 5 pontos na carteira. Como sempre, a aplicação da lei é que são elas e está faltando aprovar as normas para a medição do grau de visibilidade.

Enquanto a definição não vem, os que apostam no vidro fumê bem escurecido como uma forma de circular com discrição continuam por aí, impunemente, e até mereceriam uma análise à parte e mais aprofundada. O que pretendem esconder essas pessoas? A si próprio ou seus/suas acompanhantes? Que atos condenáveis estariam cometendo ao abrigo dos vidros escuros?

Cada caso é um caso e devem ter lá suas justificativas. Como o da moça que, temerosa de ser reconhecida no carro do parceiro casado, deu um ultimato ao sujeito: “Não saio mais contigo enquanto o carro não tiver vidro fumê. Fica expondo a pessoa, é muita bandeira!”

O rapaz vacilou, não cumpriu a exigência e acabou levando um pé na bunda. Agora, para evitar conflitos futuros, sempre que troca de carro providencia de imediato que venha com vidros escurecidos.

Essa ligação do vidro fumê com os relacionamentos amorosos tem lá sua importância, tanto assim que ganhou destaque em forma de letra e música. “Vidro Fumê” é interpretada por um tal de Ricky Vallen e fez parte da trilha sonora da novela Negócio da China, da Rede Globo. Os mais curiosos encontram o clipe de “Vidro Fumê” no YouTube. Para quem quer conhecer apenas a letra, aí vai:

Foi num telefonema anônimo


Uma voz disfarçada


Me falou que eu estava sendo traído


Eu nem quis acreditar


Pensei que era só um trote


Mas no fundo do meu peito


Já desconfiava dessa minha sorte


No calor de um momento


Na loucura do meu pensamento eu fui atrás


Em busca da verdade de um segredo


Senti o amor estremecer


Na hora em que eu te vi entrando num carro importado de vidro fumê


Quando você chegou em casa, eu te tratei naturalmente


E quando fiz amor contigo a noite inteira lentamente


Foi a canção da despedida


Foi, foi de verdade diferente


A última noite de amor da gente.

Preciosidade musical, não?! E o coitado do vidro fumê leva as culpas de tudo.