sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Contagem regressiva

“ Agora faltam cinco dias...”

A frase enigmática postada no Facebook causou alvoroço entre os amigos. O que estaria acontecendo com ele, todos se questionavam. Alguma doença grave? Vai se demitir ? Viajar para longe? Abandonar o lar? Ganhar uma bolada de herança? As especulações se sucediam e se ampliavam diante do silêncio dele. No dia seguinte, outra frase para deixar o pessoal mais aturdido: “ Faltam só quatro...” E mais não acrescentou.

Houve quem apostasse que era uma jogada de marketing do amigo: “Sabe como é, jornalista, mente imaginativa, deve estar preparando alguma coisa bombástica”. Também é nessas situações que sempre surge uma ave de mau agouro: “Deve ser algo muito grave e a gente sem poder fazer nada, coitado”.

“Três dias...” foi a mensagem seguinte, mais lacônica e, ainda, instigantemente enigmática. Os amigos decidiram convocá-lo para um encontro e escolheram um boteco que costumavam freqüentar, mas ele não apareceu. A essa altura começaram a entrar em pânico. Não havia explicação para o estranho e preocupante comportamento dele.

O pânico aumentou com a mensagem do dia seguinte: “Dois...”, assim, uma única palavra, um número apenas, escondendo um grande enigma. Aí os amigos se deram conta de que conheciam muito pouco da vida privada dele, embora a convivência de anos. Ele nunca falara de sua família e vagamente se referia a um grupo que denominava de “o pessoal aquele”, sem entrar em outros detalhes. Ou seja, não tinham a quem apelar.

“Fim!” era a postagem que todos temiam. Agora estavam em contato permanente e revezavam-se nos telefonemas a ele, mas quem respondia era a caixa postal, que já nem era mais personalizada, como haviam se acostumado. Encurralados pela impotência, estavam preparados para o pior. Naquela noite nenhum deles conseguiu dormir, à espera do telefonema esclarecedor e certamente fatídico. Mas a vigília se mostrou inútil, aumentando a ansiedade dos amigos.

Na manhã seguinte, o perfil dele sumira do Facebook.