sábado, 12 de dezembro de 2009

Criança luminosa

Maria Clara está chegando e eu que vivo criticando a pieguice alheia já virei um avô babão. Não há quem resista ao fenômeno da vida se renovando e a mais dura carapaça acaba se rompendo diante do ser frágil gerado pelo melhor de mim e melhores do que eu, que são os meus filhos. Os filhos dos meus filhos não serão apenas extensões de mim, nem sairão a minha imagem e semelhança, mas a eles estão destinadas as benções reservadas aos futuros construtores de um mundo melhor, se assim o quisermos e formos suficientemente firmes nos nossos intentos e laboriosos nos nossos esforços.

Cada vez que uma criança nasce, a vida renasce, mas há uma longa e penosa estrada a ser percorrida e um horizonte a ser alcançado para que o renascimento se torne uma dádiva, repleta de generosidade, infinita de amor, plena de felicidade. É uma missão a ser cumprida e a ela vou me entregar, cultivando amorosamente a criança que chega.

Cada vez que uma criança nasce, renascem as esperanças. E a esperança é o que nos move diante dessas sombras que nos assustam e afligem, e que uma nova energia vem iluminar, curando as amarguras, reconciliando corações e desafeições.

Cada vez que uma criança nasce, a inspiração acontece. E é quando o peso da jornada nos faz querer ser criança de novo, recriar a vida, errar e acertar, compartilhar e desafiar, crescer e gerar mais vida. E que a nova vida seja o melhor legado e mais uma dádiva.

Bem-vinda, minha neta adorada, que é Clara e é luz. Criança iluminada, vem renovar o mundo e me transformar num homem melhor para que eu possa te merecer.

*Maria Clara, filha da Flavinha e do Rodrigo, masce em janeiro