segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Adjetivos e advérbios

Economia nos adjetivos e parcimônia com os advérbios, ênfase aos substantivos e força nos verbos. Os puristas do estilo recomendam essa fórmula básica para a construção do chamado texto escorreito, elegante, fácil de ser lido e entendido. “Escrever bem é cortar palavras”, acrescentaria Drumond. Pois, humildemente, me atrevo a contrariar o mestre. E vou me socorrer do ator Carlos Vereza para tentar uma justificativa, furada que seja. "Peço desculpas aos que, por ventura, acessem este Blog pelo uso excessivo de adjetivos ao expor minha opinião sobre Lula e o PT. Mas, tenho dificuldades em ser substantivo, tratando de tão lamentável tema,” escreveu o bom Vereza em seu blog. Concordo com ele em gênero, número, grau e conteúdo.

No caso, em nome da contundência, Vereza prioriza o conteúdo em detrimento da forma. O ideal é harmonizar forma e conteúdo, mas se tiver que optar, o quê tem precedência sobre o como. Diferente do que clama uma diligente amiga do curso de Letras, devota de Drumond, que reclama do excesso de palavras dos meus textos. A ela reafirmo que prefiro a clareza ao estilo, por isso repito palavras se necessário, uso e abuso do aposto - e das explicações entre travessões, se for o caso – , tudo em nome do bom entendimento que busco oferecer nos conteúdos. Mania de jornalista.

Afora isso, apanho das crases e na colocação das vírgulas, cometo também alguns pecadilhos de concordância mais por falta de revisão do que por desconhecimento. Nada que me envergonhe. Gostaria de me livrar das frases longas, que reprimem a legibilidade dos textos, mas não tenho preconceitos contra os adjetivos. Acho mesmo que eles dão colorido às frases e, às vezes, qualificam uma situação e uma pessoa mais acertadamente do que outra classe gramatical.

Gosto igualmente dos advérbios, especialmente os terminados em mente, seguramente porque transmitem fortemente a magnitude da idéia que quero expressar. Os puristas diriam que o uso freqüente tanto dos adjetivos como dos advérbios empobrecem os textos. Pode ser, mas como não tenho pretensões à Academia Brasileira de Letras nem a de ser o autor do grande romance latino-americano do século 21, vou continuar cometendo os mesmos vícios estilísticos. Bem-vindos os adjetivos, salve os advérbios.