segunda-feira, 9 de março de 2015

Fanta Uva e berinjela

Dize-me o que bebes e te direi quem és.  Essa corruptela de um velho ditado aplica-se especialmente aos moços que se atiram a conquistar uma nova cara metade, mesmo que por um curto período. Desde cedo as moças apreenderam a desenvolver uma sensibilidade refinada para certos gestos, linguagens, preferências do parceiro em potencial e, a partir de seus julgamentos, determinar o perfil do sujeito e as chances de o caso prosperar.

As bebidas preferidas dos parceiros são  seriamente levadas em consideração. Sei de várias situações ocorridas  e admito, ligeiramente constrangido pelo naipe masculino, que em todas elas estavam absolutamente certas.  

Um exemplo me foi relatado tempos atrás quando um grupo de amigas concluiu – em conversa no banheiro -  que o namorado de uma delas, recém apresentado num happy, era gay porque pedira um kepp cooler,  sabor pina colada,  para brindar.  Dias depois a enamorada apartou-se do enrustido.

A amiga Gioconda contou-me outro caso, o de uma colega de trabalho que estabeleceu uma relação com um psicólogo por intermédio do Facebook.  Depois de vários inboxes pra lá e pra cá, o pretendente convidou-a para jantar.  Pessoalmente, o tal psicólogo era tudo de bom: bonito, charmoso, bom de conversa e bem situado econômica e financeiramente. . Porem, a primeira ficha caiu ao  pedirem as bebidas no jantar. Ela, afetando elegância, repassou a ele a escolha do que beberiam.  Aí ocorreu o choque:

- Duas Fantas Uva, por favor, solicitou ele garçom.

- Não entender a elegância do meu gesto, tudo bem, mas pedir Fanta Uva era demais, queixou-se mais tarde a moça.

Mesmo assim, disposta a uma segunda chance, aceitou o convite para ir ao apartamento dele, um belo imóvel situado em bairro nobre.  Lá chegando ele pediu licença, avisando que voltaria em seguida.  A moça logo fantasiou o retorno do fantauveiro,  que se achegou de mansinho por trás, encobriu os olhos dela com as mãos e pediu que abrisse a boca. Ainda fantasiando, ela esperou ser brindada com um morango ou um bombom de trufas.

- O desgraçado me enfiou boca a dentro um naco de berinjela cozida e ainda perguntou se eu havia gostado.

Cá entre nós, sou um militante apreciador de berinjela em variadas formas de preparo, mas não consigo perceber nenhum traço erótico nela, diferente do morango e do bombom.  A moça compartilha da mesma opinião, tanto assim que  aproveitou o episódio da indigesta berinjela para escapulir do psicólogo de gostos estranhos.

- Dei uma desculpa qualquer e me mandei.  O tal psicólogo é que esta precisando se tratar, concluiu.


Depois dessa roubada, nossa personagem só engata relacionamentos depois de pesquisar as preferências gastronômicas e etílicas de seus futuros parceiros.