sexta-feira, 13 de março de 2015

Fim do mundo à brasileira


Começo a me preparar para o fim do mundo.  Não, não fui cooptado por nenhuma dessas seitas fatalistas que marcam data para o Juízo Final e nada acontece. Ocorre que os sinais que o mundo despirocou e que os quatro Cavalheiros do Apocalipse estão chegando são muito fortes, 
especialmente no Brasil.  Estou convencido que aqui será o cenário do grand finale, eis que estamos fazendo de tudo para atrair a ira vingadora dos céus.

De acordo com a visão profética do apóstolo João os quatro cavaleiros surgirão nos céus antecedendo e como prenúncio do fim de todas as coisas. Fico matutando se os quatro personagens - a Peste, a Guerra, a Fome e a Morte -   já não estão entre nós de uma forma que não os percebemos como tal e já associados para confirmar a profecia.

Não perco essa mania de bancar o erudito quando, na verdade, pretendia mesmo era destacar as falsetas brasileiras que desafiam os astros e a razão, clamando pelo Apocalipse. Tomem como exemplo o caso do juiz Flávio  Roberto Souza (conspurcando o bom nome dos flávios!)  que desviou mais de R$ 1 milhão do judiciário, mas as falcatruas só foram descobertas porque o sem noção resolveu dar um bordejo com o Porshe do Eike Batista, agregado ao seu patrimônio, junto com um piano digno dos melhores concertos.

E o que dizer do descaramento explícito do ministro Dias Toffoli que num dia pede para integrar a turma do Supremo que vai julgar o Petrolão e no dia seguinte vai confabular com a presidente Dilma? E dos dois exemplos recentes de cinismo explícito, o primeiro dos manifestantes pró governo que saíram às ruas para defender a Petrobras que o próprio partido que está no poder deu um jeito de saquear e desvalorizar;  e o outro do patrono da corrupção, Paulo Maluf, indignado com a presença do nome de correligionários seus na lista do procurador Janot.

A propósito de manifestações chamou a atenção a foto de uma militante do MST saboreando um assado no restaurante Outback e manuseando um sofisticado iPod, enquanto no centro de Porto Alegre outros companheiros faziam fila para devorar um Big Mac,  símbolo maior do capitalismo americano, isso um dia depois de terem invadido as instalações de uma multinacional no interior do Estado. Refugaram o pão com mortadela.



Com atitudes prosaicas, contraditórias ou nem tanto, esse pessoal está virando o mundo de cabeça pra baixo. É o fim dos tempos chegando. Minha única dúvida é sobre o que vem primeiro: o julgamento do Petrolão ou o Juízo Final. Aposto um Big Mac no Juízo Final.