domingo, 3 de fevereiro de 2013

Par pefeito

Sabe aquele filme que você leva da locadora por falta de outra opção melhor e ele se revela uma bela e grata surpresa. Foi assim com Rubi Sparks – A Namorada Perfeita, que tem a indicação de comédia romântica, mas que classificaria como uma fábula moderna.

Dos mesmos roteiristas de Pequena Miss Sunshine, a sinopse básica de A Namorada Perfeira dá conta dos problemas  do romancista Calvin (Paul Dano), que  sofre com perturbador bloqueio criativo a atrapalhar o desenvolvimento de seu último livro. Com problemas também em sua vida pessoal, começa a criar uma personagem feminina que poderia se apaixonar por ele. Daí nasce Ruby Sparks (Zoe Kazan), que inicialmente é uma personagem dentro de uma história, mas que pouco depois ganha vida e passa a conviver e se relacionar com Calvin pessoalmente.
A critica se dividiu em relação ao filme, que mereceu desde cinco estrelas do New York Times ( “...uma comédia romântica polida, belíssima, que parece aterrissar de maneira leve e terna”.)a apenas duas de Zero Hora (“...tenta harmonizar a inventividade com os clichês do gênero – e estes estão bem presentes ...”)

Prefiro fugir dessa  linguagem quase padronizada dos críticos cinematográficos e realçar a forma sensível  e sincera como a solidão e a incapacidade de se relacionar com o sexo oposto são mostradas. São aflições do gênero humano e todos nós que vivemos de encontros e desencontros ansiamos pelo par perfeito,  que seja bonito e amoroso, bom de cama e ainda cozinhe bem. Como Rubi Sparks, que saltou das páginas da ficção para a realidade do escritor.

Mas A Namorada Perfeita é filme e fábula., ficção e metáfora. Pena que seja assim porque seria tão mais fácil imaginar e tentar criar a namorada dos sonhos. Ainda bem que não é assim porque temos que fazer por merecer até mesmo o par imperfeito, aquele que de alguma forma nos completa e é real, mesmo que sua culinária seja sofrível.