quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

A convenção das camareiras

Já não se fazem mais motéis como antigamente. A queixa é de uma dileta amiga, moça de boa índole, que resolveu colocar a escrita em dia com o maridão, incrementando com uma escapada a um estabelecimento do ramo. Ao chegarem à suíte que lhes fora destinada depararam com meia dúzia de camareiras em animada conversa.

“Era uma verdadeira convenção das camareiras e nós ali, ansiosos para cumprir os objetivos da nossa estada”, resmungou a amiga, numa explicação um tanto enviesada sobre os tais objetivos. As camareiras informaram que a suíte estava interditada porque recém se consumara ali os objetivos amorosos de outro casal. E continuaram a animada conversa, enquanto o casal se entreolhava pasmo, a ansiedade aumentando, por assim dizer, até que uma das funcionárias se dignou a buscar na portaria a chave de outra suíte.

Discreto que sou não perguntei como terminou a noitada, mas observei na amiga um esgar de prazer e um brilho faceiro no olhar ao relatar que a moça que fora buscar a chave tinha sido muito ágil.

Talvez exatamente pela minha discrição tenho sido brindado com várias histórias envolvendo casais e motéis. Algumas são hilariantes, quase trágicas, como a do sujeito que na pressa de arrastar a parceira para o quarto, bateu a porta do Fuca com a chave dentro – quem já teve Fuca sabe o que isso significa – e precisou voltar para casa a pé, madrugada fria adentro e cinco quilômetros adiante. Menos mal que a parceira era a legítima, que achou tudo muito romântico, ora veja.

Outras histórias são escabrosas como a daqueles casais que se encontram no pátio do motel, um dos mais sofisticados da cidade tempos atrás, mas com o inconveniente de exigir a presença dos “hóspedes” na portaria para os acertos iniciais e finais:

- Que surpresa, vocês por aqui? questionou o homem do casal que chegava ao motel.

- Ué, e vocês também?!respondeu o homem do casal que deixava o estabelecimento.

Sucede que a dupla do naipe masculino era formada por companheiros de trabalho, acatados formadores de opinião, e as senhoras dignas representantes do corpo docente da escola onde estudavam as filhas dos seus parceiros da ocasião.

Após o constrangimento inicial, o quarteto passou a tagarelar animadamente, em pleno pátio do motel, como se estivessem numa verdadeira convenção de camareiras.

É vero, estão todos bem vivos para confirmar, se for o caso.