segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Na Feira, peremptoriamente.

Nego peremptoriamente, como diria aquela liderança petista, que tenha participado da primeira Feira do Livro na Praça da Alfândega.  O idealizador do evento, realizado pela primeira vez em 1955, foi o jornalista e depois vereador, Say Marques, que era diretor do extinto Diário de Notícias.  Na época, eu tinha cinco anos apenas.

Na verdade, começam pelo visionário jornalista  as minhas afinidades com a Feira, uma vez que ele era amigo do meu pai, que o tratava reverentemente como “dr. Say Marques”;  depois porque tive o privilégio de trabalhar com a filha dele, a competentíssima Rosana Orlandi, primeiro na TVE e mais tarde na RBS TV, onde produz o Galpão Criollo;  e, por fim,  sou obrigado a confessar que estagiei por 30 dias na editoria de Polícia do Diário de Noticias, isso lá no início da década de 70 do século passado, quando o diretor de redação era o Celito de Grandi, hoje consagrado escritor. 
Mas foi quando passei a trabalhar na Folha da Tarde (juro que nada tive a ver com o fechamento do Diário ou da Folha), acho que em 1974, que comecei a frequentar a Feira regularmente.  Da redação na Rua Caldas Junior à Feira era um pulo e não havia como ficar indiferente às barraquinhas instaladas ao longo da praça.  Lembro bem o primeiro livro que comprei. Foi  O Príncipe, de Maquiavel, que ainda faz parte da minha modesta biblioteca e é consultado sempre que necessário,  esse verdadeiro manual da arte da política. Línguas ferinas e adversários invejosos insinuam que adquiri o livro errado, que estaria a procura de O Pequeno Príncipe, de Saint-Exupéry e me “principitei" (sim, com direito a trocadilho) levando O Príncipe. Nego peremptoriamente de novo.

Com o passar dos anos a Feira cresceu, junto com meu envolvimento em função de minhas atividades profissionais que me levavam a participar diretamente de todo o evento nas edições mais recentes. Cresceu também a minha capacidade e vontade de aquisição de livros.  È quase uma obsessão.  Alheio a tudo o mais,  percorro as barracas a procura dos títulos que me interessam e  esgravato os balaios de saldos em busca de ofertas e preciosidades. Ainda não bati meu recorde de três aos atrás, quando levei pra casa mais de 30 livros, entre lançamentos e saldos, mas este ano já estive duas vezes na praça e adquiri até agora oito livros, sem contar os cinco infantis que a Maria Clara escolheu e mais A Metamorfose, da Kafka, para a Santa.
Na categoria lançamentos, comprei Uma História do Mundo, do amigo David Coimbra, e para outro amigo, o Juremir Machado, não ficar enciumado adquiri o pocket A Orquidea e o Serial Killer e ainda consegui o autógrafo e dois minutos de prosa com o autor.  Encontrei o Claudinho Pereira e sua Preta e ele me indicou onde encontrar seu imperdível Na Ponta da Agulha: no estande da Secretaria Municipal da Cultura, que editou o livro.  Que me perdoem o David e o Juremir, mas vou dar prioridade para os embalos na noite de Porto Alegre, relatados pelo Claudinho, testemunha ocular que não precisa de fiador. Faltou o Cabo de Guerra, do Políbio Braga, que ainda devo buscar na barraca da ARI.

Vão entrar na fila para serem lidos, sabe-se lá quando e ainda vão disputar espaço com os não lidos do ano passado, os “sebosos” Minhas Histórias dos Outros, de Zuenir Ventura; Queime Antes de Ler, de Stansfield Turner;  As Ilhas da Corrente, de Hemingway, Ai de ti Copacabana, de Rubem Braga e Infiltrado, de Robert Wittmann. Como se vê, um cardápio variado. Agora só falta eu  vencer a letargia, largar de mão o Facebook e o twitter e retomar o saudável hábito da leitura diária. Dai-me forças, Senhor, que a causa é peremptoriamente boa.