segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Fim de uma era


Quando comecei em rádio, em meados da década de 70 do século passado, a Guaíba dominava o cenário e trabalhar nela era o sonho de todos que, como eu,  amavam o rádio. Pois, por essas oportunidades que a vida nos apresenta, acabei sendo contratado como coordenador de esportes, em substituição ao Antonio Britto que estava assumindo outras funções na então Caldas Junior. Tinha 26 anos na época e passei a vivenciar o dia a dia – e, de alguma forma,  chefiar -  da nata do jornalismo radiofônico esportivo de então: Milton Ferretti Jung, João Carlos Belmonte, Antonio Augusto, Lauro Quadros, Ruy Carlos Ostermann, Lasier e Lupi Martins, entre outros, um timaço liderado pelo grande Armindo Ranzolin. E no Jornalismo tinha ainda o Flávio Alcaraz Gomes, o Adroaldo Streck e surgindo o Rogério Mendelsky.  Entre idas e vindas, na Guaíba, na Gaúcha , na Difusora/Bandeirantes e na RBS TV, calculo que convivi com essas feras por mais de 20 anos. 
Não pensem que é fácil trabalhar com gente tão talentosa, de egos na mesma proporção, ainda mais num ambiente competitivo como o rádio e a tv. Mas fiz grandes amizades e aprendi um monte com eles . Só não aprendi a ser desenvolto no microfone e a  culpa indireta é justamente dessas grandes figuras.  Imaginava que, diante daqueles nomes consagrados, “os artistas” como se autodenominavam,  não teria a mínima chance de me sobressair, então decidi que eu deveria investir para ser um competente profissional de retaguarda. Acho até que alcancei esse objetivo, que me garantiu empregabilidade por muitos anos depois daquele começo titubeante na Guaíba.

Fiz esse nariz de cera não por vaidade, mas a pretexto de contextualizar uma era que está chegando ao fim e cuja mais recente sinalização é a saída de Lasier Martins do programa Gaúcha Repórter. Antes já haviam sido despachados para o limbo o Ranzolin e o Ruy. O Lupi nos deixou muito cedo e o Belmonte estava se aposentando. O Lauro e sua ansiedade ainda resistem no Polêmica e no Sala de Redação, assim como o Milton – que voz!  - que apresenta algumas edições do correspondente da Guaíba.  O Antonio Augusto, ao que parece, também é outro que não se entrega. Mas até quando?  Não vou bancar o saudosista e apelar para o velho chavão “no meu tempo era melhor”, mas apenas constatar que a renovação, mesmo que sofrida, é inevitável .

A verdade é que a esses  setentões ou mais  ficam a dever gerações inteiras de ouvintes formadas nos tempos em que o rádio era mais formal, mas  tinha mais força e muito conteúdo.  E fica também o meu reconhecimento, agora dirigido especialmente ao querido Laserino, que um dia fez a transição do Esporte para o Jornalismo e manteve a performance. Vai um beijo no coração.