quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Quase um serial killer

Esse tal de Facebook tem cada uma. Depois da série de postagens com o já falecido humorista Mussun e seu jeito peculiar de falar, agora voltou a mania do perfil com fotinhos antigas, dos tempos de infância.  Impressionante como faceiros bebes, mimosas crianças, verdadeiros anjinhos de carne e osso se transformaram em autênticos tribufus nos dias atuais e isso vale para os naipes masculino e feminino.  Todas as crianças são lindas, adoráveis e talvez esteja na vontade de voltar no tempo e virar mimoso de novo essa compulsão pelas fotinhos à antiga.  

Meu atento camarada Fabiano Cardoso, garoto de boa índole, se dá ao trabalho de explicar que as tais fotinhos seriam resultado de um movimento do FB pela proximidade do Dia da Criança e uma manifestação contra a violência à infância.  Nobres propósitos, reconheço, mas como explicar a gênese da ação que elevou Mussun a ser citado em vários formatos e situações?  É intrigante esse caso e tantos outros, aos quais o FB, na sua infinita benevolência, dá vazão e consagra.  Será que existe uma central, repleta de nerds, só para bolar esses abobragens? Alô Jandira Feijó, alô Thiago Ribeiro: me ajudem a entender esse processo.

De minha parte reafirmo que não vou na onda. Mantenho a foto convencional que expressa o meu perfil de homem sério, ancorado no seu tempo.  Mas devo confessar que teria muita dificuldade para escolher uma foto da infância. Naquele tempo, mais de meio século atrás,  fotografia era algo complexo, diferente das facilidades do mundo digital de hoje. Além disso, a foto que poderia publicar é muito comprometedora.  Eu devia ter uns dois  ou três anos e apareço, rechonchudo e com um cabelo cacheado e comprido , ao lado de minha irmã Rosa, dois anos mais velha. A primeira vista, eram duas menininhas. O meu cabelo comprido se devia a uma promessa, de minha vó  materna ou minha mãe, cujo teor nunca descobri. O cabelo de guriazinha durou até o dia em que meu avô materno, um despachado cafuso alagoano, se irritou e decretou:  “Cortem logo o cabelo deste menino antes que ele vire um maricas”.  Foi assim mesmo que aconteceu, relatava anos depois a saudosa dona Thélia, minha mãe.

Não virei maricas, mas por pouco não me transformei num serial killler vingativo, devido as gozações dos meus irmãos mais velhos quando descobriram a foto fatídica. Fui atormentado durante toda a infância por causa daqueles cabelos compridos e sonhava com o dia da vingança, que nunca veio. Vocês não sabem o que é ser criado com mais sete irmãos. Sobrevivemos todos ao bulling familiar que, de uma forma ou outra, praticávamos mutuamente, tanto assim que estou aqui, contando com naturalidade esse episódio do passado.  
O quê? Se vou mostrar a foto dos cabelos de mulherzinha?  Nem que a vaca tussa! Podem esperar sentados, bando de sacanas.