domingo, 2 de agosto de 2015

O circuito do livro


Hoje é muito fácil produzir um livro. O processo industrial está descomplicado e agiliza com qualidade qualquer pretensão literária.  Obviamente até chegar à gráfica há a etapa de produzir os conteúdos, a edição, a revisão e a arte da capa para que a obra seja bem atraente, mas com um mínimo de experiência e bom gosto,  mais os parceiros certos,  o resultado final pode ser alcançado sem muito estresse.

As dificuldades começam quando a carga de livros chega da gráfica.  O prazer de manusear os primeiros exemplares é indescritível, ainda mais para autor estreante, mas logo sobrevém a questão  dramática:  quem vai consumir  a  obra, num ambiente dominado pela comunicação via redes sociais e de crescente desinteresse pelos formatos impressos? Ah, tem os amigos e os parentes, o pessoal da firma, todos a merecer uma cortesia, e quem mais?

Então a solução é vender nas livrarias.  Não, não é. As grandes redes não se interessam por obras de autores estreantes e desconhecidos, mesmo que os livros fiquem em consignação ao custo de 40% sobre o preço de capa.  As outras,  mais tradicionais, que vendem livros novos e usados, alegam que não tem controle sobre o estoque e preferem não se arriscar e ter que indenizar o autor por extravio dos exemplares.  “Existe um buraco negro aqui dentro onde os livros acabam sumindo”, reconheceu um dos livreiros, cercado por pilhas de obras.  E tem ainda a tal de crise que restringiu o consumo  e o mercado livreiro não é exceção.

Com a ajuda do amigo Ayres Cerutti consegui  romper essa barreira e colocar o Crônicas da Mesa ao Lado na Nova Roma, da rua General  Câmara. Menos mal que outros estabelecimentos, que classifico como mais charmosos, também aceitaram  expor  e vender o livro, sem muita burocracia. São eles a Palavraria, na rua Vasco da Gama, a Bamboletras , no Shopping Nova Olaria, a Karolle, na avenida  José Bonifácio e no Santander Cultural e, ainda, a Banca da República, quase esquina da avenida João Pessoa.

Tenho informações que a venda está acontecendo tímida mas efetivamente nesses locais, assim como os pedidos para envio pelo Correio, que já levaram o Crônicas para Brasília, Rio, Sorriso-MT, Arcos-MG, Caxias, Flores da Cunha e Camaquã, pelo que  lembro.  Mais do que isso,  o que recompensa é opinião de quem  leu, gostou e elogiou publicamente os textos.  Isso não tem preço, isso tem valor.

Crônicas da Mesa ao Lado começou a nascer aqui no ViaDutra e se materializou para os interessados no dia 28/07,com o lançamento  no Chalé da Praça 15, onde o que não faltou foram mesas cheias e divertidas. No dia seguinte fiz este registro:

Emoção de dar calo nos dedos:
Fiquei faceiríssimo com a presença de novos e antigos amigos, autoridades civis, militares e até eclesiásticas, os Dutras em peso e quase todas as caldáveis no lançamento do livro Crônicas da Mesa ao Lado. Deu calo nos dedos de tanto autógrafo. De coração agradeço a todos, até porque vão ajudar a cobrir o investimento feito, mas agradeço especialmente as manifestações carinhosas e de incentivo, inclusive dos que não puderem comparecer ao Chalé da Praça 15 na convidativa noite de ontem. Nada mais animador do que saber que tem gente se divertindo com a Mesa ao Lado. (...) Peço desculpas a todos pelos garranchos nos autógrafos, não é nada pessoal, apenas que herdei a escrita mal traçada e já admiti que vou precisar um curso de caligrafia, até para fazer frente ao próximo livro porque, confesso, gostei muito da brincadeira. Será mais um passo rumo a Academia Brasileira de Letras, que a ilustração visionária do Linei já antecipa. Abraços apertados e beijos no coração de todos.


Detalhe, que só me dei conta depois, é que na data do lançamento do livro, meu pai, o Cel. Dastro, poeta de muitos sonetos e escritor bissexto, personagem da crônica Um enamorado na noite alucinada, estaria completando 100 anos, ele que nos deixou em 2010. Fica o registro, mesmo que tardio.