domingo, 16 de agosto de 2015

A Loira, o Tatuado e a salada de frutas

Cada história que me contam!  Dia desses, sorvendo um expresso com pão de queijo na Galeria Chaves, um médico que é quase um familiar relatou-me a divertida relação com sua assistente. Não é o que vocês estão pensando.  Tanto o médico como a moça são gente séria.  Sucede que ela ganhou o apelido de Loura e faz jus se levarmos em consideração que  tal perfil ficou estigmatizado e passou a ser sinônimo de mulher despossuída intelectualmente – burrinha, no popular.  E isso ficou mais evidenciado ainda em recente almoço que tiveram no centro. A moça ficou faceiríssima com as sobremesas que estavam a disposição no restaurante.

- Arroz de leite e creme de abacate, que coisa boa! Minhas sobremesas preferidas.

E de imediato serviu-se do creme de abacate cobrindo-o com a outra sobremesa, o que já é um procedimento  um tanto bizarro, para dizer o mínimo. Mas já nas primeiras colheradas fez cara feia e chamou o garçom para reclamar.

- Moço,   este arroz de leite não tá bom,  tá com um gosto estranho.

- Senhora, isso não é arroz de leite, é canjica!

Além de despossuída intelectualmente, a assistente revelava-se despossuída de paladar e de noção.  Pelo menos teve autocrítica.

- Agora entendo porque me chamam de Loira.

Outra história me foi repassada pelo Gunther, que volta e meia transita por este espaço.  O relato,  entretanto, nada tem a ver com suas conquistas amorosas.  Dileto amigo do Gunther estava desempregado e acabou contratado, graças aos esforços do parceiro, numa assessoria do imortal Grêmio.  Ocorre que o tal amigo era colorado fanático e  tinha tatuado  nas costas e nos braços dois ou três distintivos do clube, além de um Saci de touca vermelha e cachimbo fumegante.

O amigo conseguia esconder esse outdoor dos vermelhos sob a roupa e mantinha um comportamento discreto quanto a sua preferencia esportiva.  Isso até a pré-temporada do clube na Serra, em pleno o verão. Num daqueles dias calorentos, todas na delegação  decidiram desfrutar da piscina do hotel  após o treinamento.

Nosso amigo hesitou, mas acabou se jogando na piscina, tendo o cuidado de ficar permanentemente coberto pela água e com as costas e membros tatuados encobertos pela borda da piscina.  A atitude, entretanto,  levantou suspeitas de um dirigente do clube:

- Por que tá te escondendo ai nos cantos da piscina. Levanta que eu quero ver o que tu tá escondendo.

Foi quando se deu  o encerramento de uma promissora carreira de assessor clubístico, o que provocou uma queixa do moço excluído pelo cartola.

- Esse pessoal do Grêmio não tem espírito esportivo.

Já o Gunther, como sabemos, vive metido em aventuras mais prazerosas que mereceriam um livro de crônicas só para ele. Solteirão convicto, com situação financeira estável, boa formação intelectual e diríamos que é um rapagão ainda, embora não cozinhe na primeira fervura, o Gunther acabou envolvido com uma parceira já cinquentona, mas muito competitiva no mercado dos relacionamentos. Competitiva e criativa, acrescentaria ele mais tarde, contando que antes de rumarem à casa dela a senhora passou numa fruteira e providenciou uma cesta básica de frutas – mamões, melões,  morangos, pêssegos, maças e bananas.

Gunther imaginou que as frutas serviriam para uma salada após a transa e ai mesmo é que  se quedou apaixonado pela parceira “tão dedicada a agradar seu companheiro”,  observou ele.

Mas os produtos tinham  outra destinação e tão logo ficaram a vontade ela o fez deitar  de decúbito dorsal  e o cobriu de alto a baixo com as frutas.

- Eu estava virado num pomar, que foi sendo consumido lentamente..., relembrou , com um suspiro profundo  do tipo “foi muito bom”.

De fato, era uma salada de frutas só que de características bem  peculiares e saboreada não como sobremesa, mas como aperitivo.  O entusiasmo da dupla  durante o ato só arrefeceu quando a senhora sugeriu uma utilização menos nobre para a banana, o que ele repeliu com determinação.

- Ainda mais que era uma banana caturra, foi a justificativa para não ser tão indelicado diante da proposta mais ousada.

Mesmo assim o relacionamento deixou boas lembranças e o casal já esta planejando novo festerê, dessa vez com  outros produtos agrícolas, um encontro que apelidaram de “ a horta dos prazeres”.

- Mas já avisei que é sem cenoura,  concluiu o prudente Gunther.