terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O Sarninha

De tanto insistir para entrevistar João Saldanha que visitava Porto Alegre lá pelo início da década de 70 do século passado, o jovem repórter atingiu o seu intento, mas foi brindado com uma rabugice do consagrado jornalista:

- Mas que sarninha!

O “sarninha” era Edegar Schmidt, recém chegado de Cachoeira  do Sul – cidade celeiro de grandes homens de comunicação – que precisava se firmar em Porto Alegre e especialmente numa equipe cheia de cobras que era a Rádio Guaíba de então. Com a determinação com que conseguiu a entrevista de Saldanha, Edegar construiu uma carreira marcante no jornalismo esportivo como repórter, comentarista, âncora de TV e colunista (assinava a coluna Líbero na extinta Folha da Tarde).

A partir de 1974 nossos destinos se cruzaram nos estádios onde setorizávamos e depois na Rádio Guaíba. Logo nos identificamos, seja pela faixa etária, seja pela necessidade de nos impormos profissionalmente. Casamos pela mesma época, ele e a Maristela foram padrinhos do meu casamento, nossos filhos regulam de idade e  fizemos ótimos veraneios juntos e pelo  menos um Carnaval inesquecível no clube Rio Branco de Cachoeira. Mas o Edegar era muito mais irrequieto que eu e na esteira da crise da então Caldas Junior partiu para outras, uma vez que também tinha um espírito empreendedor que a mim faltava. Ele sabia como ganhar dinheiro, mas era bom em gastar também.

Acabamos  nos desgarrando,  mas volta e meia nos encontrávamos em função das atividades profissionais de um e outro. Sentar à mesa para tomar um cafezinho com o Edegar era ouvir os planos futuros que ele tinha em mente, pois jamais deixava de sonhar com a possibilidade de um novo projeto.


Ao confessar a minha inveja por  esse traço visionário do amigo,  também não deixo de registrar que hoje, ao observar a mesmice da reportagem esportiva, é quando mais sinto falta da sarna de um Edegar.