quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Na Moral e outros equivocos

A nova (?) programação da Rede Globo esta me deixando tonteado.  Os recém-estreados “Encontro com Fátima Bernardes”  e o “Na Moral”, com Pedro Bial, não conseguiram emplacar e dificilmente isso acontecerá, a não ser que haja uma virada de 180 graus nas produções, uma virada capaz de trazer os diferenciais que as chamadas dos programas prometiam.

O caso mais grave é o do programa da Fátima, preparado há quase um ano e que se revela um equívoco monumental, não fazendo justiça ao talento da apresentadora.  Uma regrinha básica quando se cria uma nova atração – e isso vale para todas as mídias e para outras formas de entretenimento – é focar no público alvo do horário ou pretendido. Ou muito me engano ou o público das manhãs é constituído de donas de casas e crianças, mas o que vi num dos primeiros programas foi o futebol como tema central.  A rigor, o equívoco mastodôntico foi estrear um programa para adultos em horário de público infantil em plenas férias escolares. A coisa é tão tediosa que outro dia uma senhora do auditório foi flagrada dormindo durante o programa. Aliás, a nova mania televisiva são esses mini auditórios, que servem de claque, jurados e cenários, sem o menor critério.

Tenho prestado mais atenção ao Pedro Bial do que a Fátima Bernardes e conto pra vocês a síntese do programa: muito ritmo, pouco conteúdo; muito discurso, pouca profundidade. É um tal de entra e sai de convidados e assuntos que resta pouco recall.  Parece que os luminares da programação global ficaram reféns de uma fórmula que vou chamar de Jornalismo Revista Contigo e sua variação Revista Nova, ou seja, uma mistura de temas comportamentais da hora,  alguma coisa  pretensamente polêmica, uma pitada de sexo,  a presença de alguns artistas globais e cantores do hit parade e mais um auditório adestrado, tudo isso costurado por um âncora famoso . Nessa linha, sou mais o Serginho Groismann. O resto está mais pra fake e o público, que está amadurecendo e sabe o que quer, reage com indiferença.
Lastimo a posição em que ficaram a Fátima e o Bial, mais pelo que representaram no passado e menos pela guinada equivocada que deram em suas carreiras.
Para não dizerem que tenho má vontade com a Globo, admito que na teledramaturgia a rede esta acertando em cheio. “ Avenida Brasil” vai entrar para o rol das melhores novelas de todos os tempos, não tanto pelo enredo, mas pelo desempenho superior de todo o elenco, exceto o canastrão Murilo Benicio. E arrisco dizer que o remake de “Gabriela” é tão bom ou melhor que o original, com aquele luminosidade e cenários baianos, seios e bundas à mostra e,  de novo, uma grande  atuação de todo o  elenco, ai incluída até a Ivete Sangalo como Maria Machadão. Só implico com aqueles figurinos masculinos que não dispensam o colete no tórrido sertão da Bahia. Até a novela das sete, Cheias de Charme,  misturança de ficção e realidade, acertou na fórmula e também vai marcar época.

A essa altura do campeonato, se eu fosse a Fátima e o Bial pedia transferência para o núcleo das novelas.