quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A praça

A praça rústica e um tanto descuidada em frente à casa já foi o parque de diversão dos filhos quando crianças. Havia muita fantasia naquele espaço verde e cada recanto aguçava a imaginação dos três pimpolhos, fazendo a inveja dos primos visitantes que não tinham o mesmo espaço de aventuras tão próximo.

Amigos imaginários transitavam por ali, a árvore mais copada podia ser um castelo de fadas, os caminhos de terra batida levavam à terras desconhecidas e a mata nativa certamente era a floresta onde habitavam seres estranhos, alguns talvez malévolos. Tudo ao redor é grande e, às vezes, assustador quando a gente é criança.

As crianças cresceram e a praça ficou por um tempo fora de seus mundos, substituída por outros apelos e novas emoções. Mas o reencontro começa a acontecer com a nova geração que chega. A visita à praça envelhecida, levando a menina pela mão, foi mais prazeroso para o homem do que para a pequena, que ainda não descobriu todo o fascínio dos cantos e recantos cercados de verde.

Para a menina, como para sua mãe e tios quando iniciaram a fase das descobertas, o que atrai agora são as pequenas flores silvestres e o som compassado do balanço enferrujado que, para ela, passou a ser sinônimo da praça- di-dá, di-dá, di-dá.

A volta no tempo é inevitável, mas é preciso refrear a nostalgia, porque este é um momento mágico e curti-lo com a menina-criança não tem preço.