terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O circo de Petrópolis: vaias no Olímpico - final

*Recomenda-se ler a postagem anterior de O Circo de Petrópolis: vaias no Olímpico

O Luciano, nosso treinador, montou um time forte, recrutando alguns guris do Anchieta, e estreávamos um terno de camisetas doado pelo São Paulo, sim o São Paulo do Morumbi, campeoníssimo brasileiro, mas essa história conto outra vez. Interessa saber que entramos em campo cheios de bossa, com este que vos fala na lateral-direita que os modernos chamam de ala.

Minha missão era marcar um ponteiro de cabelo foguinho, forte e veloz, que nas duas primeiras investidas passou por mim como se fosse um raio. Quase gol. Os tricolores haviam descoberto o caminho da roça: era o lado que me cabia defender. E lá se foram mais lançamentos para o foguinho até que, incentivado pelos companheiros, resolvi tomar uma atitude. No ataque seguinte, bola dividida, entrei pra rachar e derrubei o adversário. Mais um ataque e outro dos nossos deu uma entrada que jogou o cara na pista atlética. Em seguida fui substituído porque não ia agüentar muito tempo a pressão do atacante e também porque não tinha tamanho nem força física para enfrentá-lo.

A chinelagem é que nosso terno tinha apenas 11 camisetas e a troca era na beira do campo. Quem entrava jogava com a camisa suada do companheiro substituído, mas a emoção de jogar no templo tricolor compensava até o vexame.

Enquanto isso, torcida do Grêmio, já em bom número no Olímpico, nos vaiava, pois o pau continuava comendo agora nos embates em outros setores do campo. A violência não resolveu muito porque acabamos perdendo por 2 x 1, nosso gol marcado por Cláudio, que eu não lembro quem era.

Fim de jogo no vestiário, satisfeitos por não termos levado uma goleada, comentávamos as principais incidências da partida, animadíssimos, quando o seu Álvaro entrou berrando:

- Selvagens! Vocês nunca mais vão pisar no Olímpico, seus animais.

O velho estava possesso com a violência praticada contra seus garotos e não parava de esbravejar. Até que dois ou três dos nossos, os mais fortes e menos civilizados, avançaram em direção a ele para fazer jus a selvageria da qual nos acusava. Seu Álvaro sentiu a barra e, com a pressa que a perna manca permitia, tratou de escapar, debaixo de vaias e desaforos. Estávamos vingados das vaias da torcida e das acusações do treinador. Para comemorar, fomos todos derrubar uma rodada de cervejas na primeira copa do estádio que encontramos aberta.

A escalação do Tupy no histórico jogo, uma clássica formação 4-4-2, conforme descobri nos meus alfarrábios: Piero; Flávio (Nelson), Felipe (Sombra), Geléia e Caio (Manta), Silvio e Pinguinho; Beto (Zé do Burro), Geada (Carlinhos), Cláudio e Alfredo (Caio). (Tirando os irmãos Piero e Beto D'Alascio, os outros não sei ondem andam e o que fazem).