segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O circo de Petrópolis: vaias no Olímpico - parte 1

(Era tanta palhaçada que para virar circo só faltava a lona)

Nos anos 60 havia campeonatos de futebol varzeano para todos os gostos e todas as idades. A Prefeitura promovia o interpraças que reunia equipes representando cada uma das principais praças com campos de futebol. Era competição para a garotada até 15 ou 16 anos. E havia ainda os campeonatos promovidos por empresas, como a Copa Presidente, patrocinada pelos cigarros com este nome, que seria a Copa Paquetá de hoje. Era uma maratona de jogos, tipo mata-mata que empolgava toda a várzea. E havia ainda os campeonatos do Departamento Autônomo Amador da Capital, ligado a Federação, que congregava os diretórios das regiões da cidade.

Envergando a gloriosa jaqueta azul e branca do Grêmio Esportivo Bagé, disputávamos o diretório da Zona Leste, contra times como o Clarão da Lua, o preto e branco do Mont Serrat; o Concórdia, vermelho, preto e branco e nosso principal rival que disputava seus jogos no Valão da Várzea; o Universal, time de carroceiros do Jardim Botânico; o Bonsucesso, da Bom Jesus; o Vila América, lá do Mato Sampaio; o Vila Federal, que era o bicho papão, e outros menos votados, como o Rajados, que conseguia ser pior que o nosso Bagé. Minha qualificação não ia além do time de aspirantes e ainda assim era reserva.

No interpraças representávamos a Praça Tamandaré, ali entre a Caçapava e a Taquara, em Petrópolis. O campeonato era aberto para outras equipes e vai merecer que, em breve, recordemos algumas histórias. Grêmio e Inter formavam times B de infantis, infanto e juvenis para disputar esses campeonatos. O Inter, ainda na era dos Eucaliptos, era de uma pobreza franciscana. O Rolinho colorado, como era conhecido, tinha a batuta do seu Jofre Funchal, grande descobrir de talentos, vide Falcão. O treinador do Grêmio era o seu Álvaro, metido a brabo, pedreiro nas horas vagas e apelidado cruelmente de Pneu Furado porque coxeava de uma das pernas.

Certa vez seu Álvaro concedeu a honra ao aguerrido Grêmio Esportivo Tupy de disputar uma pré-preliminar no estádio Olímpico em um jogo do campeonato nacional de então, o Roberto Gomes Pedrosa ( Robertão). O jogo era Grêmio x Palmeiras. A data: 19 de março de 1967. A pré-preliminar começava ao meio dia, quando os primeiros torcedores chegavam ao estádio, mas para nós do Tupy era decisão de Copa do Mundo.O Olímpico era o grande estádio da cidade naqueles anos 60 (o Beira-Rio foi inaugurado em 69) e o adversário seria os infantos do Grêmio, algo como sub 17 de hoje. Imaginem o que isso significava de emoção para a gurizada de Petrópolis.

(continua)