quinta-feira, 4 de junho de 2015

Grupo seleto, assunto escabroso

Estávamos  a destrinchar um galetinho ao primo canto quando a valente Marivalda propôs dois desafios.  Os comensais faziam parte de um grupo seleto de pessoas, homens e mulheres com grandes responsabilidades sociais e todos foram apanhados de surpresa com os questionamentos da audaciosa colega. Vocês não podem ver mas fico ligeiramente ruborizado ao repassar os desafios propostos, ambos dirigidos ao naipe masculino.

- O que vocês fariam se numa situação transgressora,  no quarto de um motel,  a parceira visse a falecer?  E o que fariam se, na volta de uma viagem, caísse da mala em frente à  esposa uma calcinha com todos os indícios de que fora usada?

Dois assuntos escabrosos que exigiram complexas argumentações e as mais variadas saídas para tais  incidentes. No primeiro caso, houve quem dissesse que fugiria depressa do local, talvez para o exterior, deixando o corpo da parceira no quarto.   Outro achou que a melhor solução seria vestir a moça, colocar no carro e invadir com estardalhaço a emergência do hospital afirmando que encontrara caída na rua e depois sairia de fininho.  Um terceiro garantiu que se simulasse um ataque cardíaco na hora da chegada do socorro talvez desviasse a atenção do ocorrido com a acompanhante e não precisasse dar muita explicação.  Entretanto, a melhor saída veio do Túlio, que assumiria sua participação no episódio com uma frase tão definitiva  como consagradora:

- Matei  ela de prazer!

No segundo caso – o da calcinha inconveniente –  sucederam-se desculpas inconvincentes de todos os  marmanjos, sinal de quem nenhum deles havia sequer enfrentado  situação semelhante.  É que uma ocorrência limite dessas exige ousadia e criatividade, que foi como propôs o Cacaio:

- Eu confessaria que a calcinha era minha, porque era um enrustido, mas que continuava a amar minha mulher, bla,bla,bla,  sabe como é, estamos na era de todas as formas de amor...

A saída não ganhou a unanimidade, mas sou obrigado a convir que não surgiu nada melhor à mesa. Foi então que a Marivalda, assumindo sua porção lambisgóia, contra-atacou:

- E se a mulher aproveitasse a ocasião resolvesse abrir o jogo e confessar que ela era sapatão e tinha um caso com sua melhor amiga?


Um silencio constrangedor caiu sobre a mesa e o franguinho passou a ter um gosto indigesto. A mesa ao lado já não era mais a mesma diante da possibilidade aventada.