sexta-feira, 19 de março de 2010

Veteranices

Agora que cheguei aos 60 fiquei mais atento aos sinais que identificam, mais do que a aparência, a certeza inexorável que a terceira idade chegou. Usar a palavra ‘mocidade’ para designar os mais jovens é pule de 10. A ‘mocidade’, no caso, vem sempre acompanhada de outra expressão denunciadora – “no meu tempo”, seguida da afirmativa de que tudo era diferente e muito melhor. “Essa mocidade de hoje não sabe...” e o cidadão já dispara uma contrariedade em relação ao comportamento das novas gerações. É pura inveja. Pensando bem, “novas gerações” está no limite para entrar no léxico da terceira idade.

Passemos a outros itens incriminadores, entre os quais destaco o uso da bermuda com cinto, da calça ajustada acima do umbigo, do tênis com meia social, da camisa social com calça jeans e abotoada até o colarinho. É nessa fase que as peças do vestuário voltam a ter seus nomes originais: meia é carpim, cueca atende por ceroula, terno passa a ser fatiota e soutien parece que é um tal de corpinho.

Fortes indícios comportamentais da veteranice: chegar cedo ao banco para curtir mais tempo na fila (sempre haverá uma alma gêmea para conversar); praticar caminhada com guarda-chuva (ao menor sinal de virada do tempo); trocar opiniões sobre doenças e remédios com conhecidos e desconhecidos (cada um usa pelo menos três tipos de medicamentos); usar pendurado à cintura aquele chaveiro carregado de chaves de todos os tamanhos ( e esquecer para que servem tantas chaves); jogar damas nos tabuleiros das praças (pode ser bocha também), com um longo suspiro à passagem dos “brotos” e um pensamento nostálgico: “Era bom!”. Vamos combinar que eu estou fora dessas.

Existem muitos outros sinais, uns mais outros menos visíveis. É só prestar a atenção e quem tiver contribuições pode enviar para este blog.

A propósito, circula na Internet uma piada que ilustra bem as agruras do tempo que passa:

A turma de amigos quarentões discutia onde jantar. Finalmente concordaram que seria no Café Ritz, porque a garçonete era gostosa.

Dez anos depois, aos 50, se encontram de novo e discutem pra lá pra cá, para resolver onde jantar. Finalmente resolvem ir ao Café Ritz, porque a comida era muito boa e a seleção de vinhos excelente.

Passados mais dez anos, aos 60 agora, voltam a se reunir e toca a discutir onde deveriam jantar. Finalmente chegam à conclusão que devem ir ao Café Ritz, porque é um lugar onde podem desfrutar uma refeição na paz e tranquilidade e o restaurante é para não fumante.

Mais dez anos, já com 70, tornam a juntar-se para resolver onde se reunir para jantar. Finalmente escolhem o Café Ritz, porque tem fácil acesso para cadeiras de rodas e até mesmo elevador.

E passados mais dez anos, com 80 no lombo, grupo se reencontra uma vez mais para decidir onde jantar. Finalmente resolvem ir ao Café Ritz, porque seria uma ótima idéia experimentar um restaurante onde nunca tivessem ido antes...

(Tóinng)