sexta-feira, 15 de julho de 2016

Histórias da dona Ema

Encontro minha querida amiga Ema em um evento festivo. Encontrá-la nessas circunstâncias é sempre uma festa dentro da festa, porque a conversa rola fácil e divertida, e os causos, dos quais careço para alimentar o ViaDutra, vão surgindo um atrás do outro.

Pra começar ela conta o ocorrido com um candidato a vereador lá da Fronteira, homem íntegro e despachado que, porém, decidiu substituir as pilchas do dia a dia por uma vistosa fatiota e com ela enfrentou um comício num bairro da periferia. O resultado foi desastroso.

- Vocês me conhecem e não devem se impressionar com a minha roupa. Sou candidato agora mas não esqueço minhas origens: já fui um chinelão como vocês!

Os chinelões não perdoaram e, então, uma promissora carreira política se foi pro beleléu.

Na mesma cidade, rico fazendeiro largou a esposa e -  surpresa geral - se emparceirou com a dona do principal prostíbulo da chamada “zona”.  O escândalo provocado na conservadora cidade não demoveu o cidadão do relacionamento. A explicação certamente estava na justificativa da nova parceira, quando confrontada, perfil à perfil, com a ex-titular, mulher rica, linda, bem educada, recatada e do lar.

- É, mas nas hora do remele xoxo sô mais a véia aqui!

E, assim, consta que foram felizes para sempre.

Por fim, dona Ema relata que foi assediada, numa breve fase de solteirice, por dirigente de uma tribo carnavalesca.

- A senhora sabe que agora estou com um cargo numa repartição e ganhando bem, cinco contos por mês -, foi o melhor argumento do assediador.

Dona Ema é do bem,  mas detesta gente sem noção, especialmente do naipe masculino.

- Lá sou eu mulher de me encantar com cinco contos!

E completou:

- E nem vem com mesadinhas de três mil e quinhentos porque também não tem conversa.

A referência aos depósitos mensais feitos por um ex-deputado à uma rainha de escola de samba foi logo e bem entendido por quem participava da roda de causos.

Dona Ema tem cada uma...