sábado, 9 de julho de 2016

Histórias bem contadas


Já fui um leitor mais voraz, mas ainda mantenho o velho hábito de consumir de três a cinco livros simultaneamente. Agora, por exemplo, estou dedicando atenção às obras de pelo menos três amigos talentosos, gente da comunicação, cujos livros conseguiram me tirar do confinamento imposto pelas redes sociais.

Acabo de devorar mais da metade de Pandegas e Galhofas, de Paulo Motta (editora Vidráguas, e uma bela capa do Cezar Arruê).  O Paulo é um figuraço, autointitulado presidente (ou rei?)  da fictícia República (ou reino?) de Bulhufas, dono de um estilo único e dotado de um humor contagiante, tanto no contato pessoal como nos seus textos. Pandegas e Galhofas, que só foi publicado depois de muita insistência dos amigos, conta um pedaço da vida dele, amores e desamores, grandes e pequenas traquinagens dos ¨maravilhosos¨ anos 80. O maravilhosos é por conta do Motta, mas o livro é uma delícia e várias vezes me vi gargalhando com as aprontadas dele e de sua turma. Recomendo, especialmente pra quem passou um dia atribulado.

Recomendo também Memórias de Uma Vida Hilária (editora Vidráguas), do Auber Lopes de Almeida Filho, que tive o privilégio de ler no original e a honra de prefaciar. Mas não é por isso que recomendo. O Auber está na estrada há mais tempo e já pode ser chamado de escritor, diferente de nós, os iniciantes. Memórias  é o  terceiro livro dele, um sonetista militante que se revelou em A Estética da Tristeza e se consolidou em Nós, compartilhado com o pai, numa homenagem póstuma. As memórias, da Cachoeira natal à Porto Alegre, são contadas com a simplicidade e o sabor que as boas histórias exigem, deixando um gostinho de quero mais, como enfatizei no prefácio. Aguardamos com expectativa o prometido volume 2.

Permitam-me agora falar da minha querida Tanira Lebedeff que lançou recentemente o seu A Velhinha que Entrevistou George Clooney (editora Catarse).  Correspondente e produtora de TV com experiência internacional, hoje à serviço do canal Octo (ex-TVCOM), Tanira relata suas aventuras e desventuras, pessoais e profissionais, mundo afora.  Do mundo do cinema entrevistou gente do calibre de um Anthony Hopkins, Robin Willians, Tom Cruise e contracenou com o tal George Clooney do instigante título, ele no papel principal, é claro, e ela como figurante.  Querem saber mais sobre isso? Vai comprar o livro e fazer como eu, devorando-o crônica à crônica.

Mais do que prestigiar os amigos, o que já seria uma ação do bem, resgato as obras do Motta, do Auber e da Tanira pela superior razão de que cada um, a seu modo e estilo, são contadores de histórias bem contadas e a redundância é proposital. Histórias que prendem desde o início e que nos fazem querer saber o desfecho, às vezes inesperados.  Histórias com gosto de quero mais, vale repetir.   
Alô Lucas Barroso, Gustavo Machado, Caco Belmonte, aguardo as obras de vocês para também poder elogiar e recomendar.  E espero reciprocidade quando lançar o Cronicas da Mesa ao Lado II. A propósito, o que tem de jornalista buscando novas formas de expressão! Será reflexo da tão falada crise do jornalismo contemporâneo? Sei lá, mas não resisti a fazer uma tese.