sábado, 2 de julho de 2016

A idade do amor

E tem aquela história do nosso amigo, cujo nome não posso declinar, que voltou a se apaixonar pela ex, a ponto de enviar mensagens melosas, dando conta da sua saudade dos velhos tempos. Antes desse gesto radical ele postou uma foto com a nova namorada, em represália à foto da ex com seu novo parceiro, exibida também nas redes sociais.

Aqui é preciso acrescentar que a ex é no mínimo 15 anos mais jovem que o nosso amigo, que agora se emparceirou com uma moça que regula de idade com ele, qualquer coisa ali pelos 40 anos. O cotejo de idade entre a ex e a atual tem sido doloroso para ele, daí os apelos endereçados ao antigo amor. A foto dela com um rapagão sorridente, ambos esbanjando felicidade, foi como se uma ferida, quase cicatrizada, fosse reaberta.

- Não paro de sonhar com aqueles nossos momentos -, foi a mensagem dele.

A resposta foi como um torpedo naquele coraçãozinho amoroso e enciumado:

- Agora que eu descobri o vigor da juventude não quero mais saber de velharias. Vai procurar tua turma e me esquece.

A resposta, na verdade, foi menos civilizada, mas o sentido do recado foi o mesmo da frase substituta e mais do que suficiente para provocar grande prostração, depressão mesmo, no nosso amigo.
Pessoa querida, ele pelo menos recebeu o apoio moral e palavras de conforto de seus parceiros mais experimentados nas armadilhas do amor. Aureliano foi um deles:

- Os apaixonados perdem a noção da realidade, cometem bobagens, ficam piegas, mas isso passa, meu amigo -, repreendeu e aconselhou Aureliano.

- Já passei por isso e sei como é -, acrescentou.

Mas nosso amigo não se deu por vencido e pelo jeito não levou a sério a recomendação do conselheiro, tanto assim que pretende fazer uma investida que considera definitiva: vai pedir a moça em casamento.

Não torço contra, mas acho que não vai dar certo. Nosso amigo tem vocação para solteirão e, além disso ou por isso mesmo, não parece disposto a abandonar as mordomias da casa dos pais.


De tudo o que me contaram desta singela, mas algo dramática história, só fiquei encafifado com a resposta da ex, apelando para a expressão ¨velharia¨, dando a entender que nós, os representantes da tal velharia, já estaríamos na fase do ¨era bom¨. Protesto com veemência e com ponto de exclamação! Se bem que quem tenta escapar das relações com a sua turma até que merece esse tipo de resposta. Já aviso que não é o meu caso.