quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Histórias curtas do ViaDutra: O Dindo

Criança não mente, por isso é um perigo.  Foi a conclusão a que chegou meu amigo Gunther ao saber do ocorrido com um parceiro da chamada Grande Agronomia.  O sujeito resolveu levar o filho, um piá de seus 7, 8 anos , na festa de fim de ano da firma.  O pai, exibido como só ele, apresentava o guri para todo mundo, especialmente às chefias, certo de que estava agradando.  Até que, reunido com o grupo dos companheiros mais chegados, decidiu questionar o menino e por a prova o quanto constituíam um lar feliz.

- Conta ai pro pessoal com quem é que a mamãe fica quando o papai não está em casa, - perguntou, levantando a bola para que o filho respondesse algo do tipo “é comigo, papai”.

Mas o guri parece que não entendeu a tabelinha do pai e naquela ingenuidade da infância saiu se com esta resposta:

- Quando o papai não está em casa, a mamãe fica com o Dindo. Mas daí  eu vejo pouco porque daí  eles ficam todo o tempo no quarto e daí eles me mandam jogar bola com os amiguimhos..

Não precisa dizer que acabou ali a festa para os dois. Gunther conta  também que não  foi preciso uma comissão de inquérito para a senhora confessar que, sim,  se refestelava frequentemente  com o Dindo, um simpático e espadaúdo vizinho,  escolhido a dedo  pelo próprio pai, com a aprovação entusiasmada da mãe,  para a nobre missão de apadrinhar o menino.

Vida que segue, o Dindo mudou de cidade, o casal se recompôs, a traição foi perdoada, mas como nas antigas histórias em que o sofá levava as culpas e era retirado da sala, o menino nunca mais frequentou  as mesmas festas do pai, além de receber uma missão especial:

- Meu filho, fica de olho na rapaziada da vizinhança.

Ao saber do desfecho, Gunther não se conteve:


- Certas coisas só acontecem na Grande Agronomia. Que sina!