quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Sobre a finitude humana

2013 têm sido particularmente perverso em nos privar de pessoas próximas. A cada semana alguém mais é escolhido  e fico com a sensação de que estão chamando a minha turma. Só não sei qual o critério para a convocação e, para deixar claro, não gostaria mesmo de  saber, porque não deve existir nada mais angustiante do que ter noção de  que seu fim esta próximo.

A verdade é que essa necessidade cada vez mais frequente de comparecer a velórios e enterros, e um interesse que não tinha antes de consultar diariamente o obituário do jornal não faz de mim uma pessoa mais mórbida, mas  sim uma vítima das surpresas negativas que essa quadra da vida reserva a cidadãos de idade mais avançada.

E a cada situação fico a pensar na finitude da vida e quanto ainda me resta de gozo e convivência por aqui.  Não me desespero, mas  olho o companheiro que se foi e,  tristemente, o que ali está é só matéria, que logo vai se decompor ou vai virar um montículo de cinzas. 

Será que é só isso mesmo o que nos espera, que o sopro de vida que um dia recebemos se esvai  assim,  sem mais nem menos, vai ficar na nuvem  como uma hashtag  qualquer . É muito pouco diante do vale de lágrimas a que a maioria de nós é submetida  nesta existência.
 
Talvez eu devesse acreditar que a morte nada mais é do que a passagem para o nosso encontro com o Criador ou com o Demo, dependendo do nosso comportamento por aqui. Ou então torcer para que  o paraíso das virgens com lábios de mel exista de fato lá em cima. Mas sou um descrente condenado à danação eterna, que é o castigo dos que se apartaram da fé.


Essas divagações mórbidas  mexem com a gente. Preciso tomar um vinho e celebrar a vida.