quinta-feira, 15 de maio de 2014

Sobre traição e outros papos

Encontro com aquela minha amiga expansiva, mais as adoráveis Cali e Andara, e  o assunto deriva para a infidelidade masculina e feminina. Foi quando ouvi uma sentença definitiva sobre  tal situação e a revelação de casos tragicômicos.

- Mulher traída é vítima, homem traído é um  mero corno – foi o que ouvi da moça expansiva.


Tentei argumentar, emendei um “veja bem...”, mas como estava em minoria recolhi-me a um silencio obsequioso e fiquei ouvindo as histórias.


Uma delas dá conta do sucedido com famoso corrupto da nação que quis fazer um agrado à namorada, deslumbrante ex-miss gaúcha, e presenteou-a com  um refrigerador de última geração. Por cautela, comprou outro com as mesmas características para a esposa. Só que para a garota o equipamento deveria ir recheado de espumantes da melhor qualidade, enquanto para a titular o safado não providenciou nem mesmo um potezinho de iogurte, embutidos, patê, mortadela ou uma latinha de Kaiser.
Ocorre que o entregador trocou os destinatários e a titular, certa de que o surto de romantismo expresso pelos espumantes não lhe dizia respeito, acabou descobrindo tudo, provocando a separação. O que me leva a conclusão que a má qualidade na prestação de serviços tupiniquim conspira contra sólidos relacionamentos. Pensando bem, dar refrigerador de presente pra namorada é uma fria.

Uma história puxa outra e  logo surgiu a lembrança do engenheiro catarinense que embolsou uma grana preta em obras públicas e fugou para o exterior com a namorada, mas acabou localizado ao aparecer na TV por ocasião de um jogo de vôlei da seleção brasileira na Espanha. O cara era corrupto, mas muito patriota e torcia com entusiasmo pelos rapazes do vôlei verde amarelo quando a casa caiu.
Tentei novamente participar da conversa, defendendo a tese de que o complexo de culpa levava esse pessoal a se expor para ser apanhado, como fazem alguns amantes, deixando pistas de suas safadezas. Quase emendei o tradicional ‘Freud explica’ mas novamente caçaram minha palavra. E novamente o fizerem com um veredito arrasador.

- Infiel e corrupto burro não tem futuro.
Foi então que me recolhi outra vez ao silêncio obsequioso, enquanto as três lambisgoias detratavam mais alguns parceiros que lamentavelmente não pude defender.