domingo, 10 de novembro de 2013

Na contramão

Fico pasmo ao tomar conhecimento desses casos de motoristas que se arriscam a trafegar pela contramão em estradas movimentadíssimas.  Agora mesmo leio a noticia da mulher que dirigiu oito quilômetros pela BR 116, de Porto Alegre em direção à Canoas,  sempre na contramão e, claro, completamente embriagada. Ou seja, não se deu conta dos riscos do seu ato, para ela e os outros motoristas.  A gauche  teve que pagar fiança para ser liberada, foi devidamente multada, levou 14 pontos na carteira e vai responder a processo.

Gostaria de ter acesso a ela para saber das suas motivações.  A imprudência teria sido o resultado radical de uma desilusão amorosa, tentativa de suicídio,  fim de uma balada pra lá de Marrakech, estava apertada para ir ao banheiro, enfim, como explicar uma maluquice dessas? A mídia que cobre tais fatos fica a dever um perfil mais detalhado desse pessoal.
Confesso que sou meio desorientado no trânsito e cometo,  volta a meia,  algumas barbeiragens como trafegar na contramão na zona urbana, em trechos curtos,é bem verdade.  Mas dai a sair estrada a fora pela esquerda,  jamais.  O que me impressiona é o grande número de motoras que tem desafiado toda a qualquer noção de segurança e bom senso dirigindo na contramão, sempre em estradas movimentadas,  quase sempre em alta velocidade e invariavelmente em estado que deixa os bafômetros todo eriçados.

A triste constatação é que  agora ampliou-se o perfil dos transgressores, antes jovens em busca de novas emoções, hoje senhores e senhoras que estariam acima de qualquer suspeita.  Retomo o questionamento:  o que está por trás da maluquice?
Talvez seja um compartilhamento com o poeta  Drummond e seu verso (“Vai, Carlos! ser gauche na vida”) ou um tributo ao sertanejo universitário de Paula Fernandes ( “Fui capaz de abrir mão do meu rumo/Pra seguir na tua direção/Foi você quem errou o caminho/E andou na minha contramão”). Na real, não tem justificativa poética ou musical que sustente ir ao encontro do perigo, talvez mortal. Ainda sou mais o aviso do Maluco Beleza:” Eu já estou calejado/Não quero mais andar na contramão”. Vale para o trânsito e para a vida.