terça-feira, 23 de julho de 2013

Perdão,mestre Djalma

Djalma Santos,  falecido hoje,  faz parte das minhas melhores e mais antigas memórias  esportivas.  Junto com Nilton Santos ele integrou a defesa da seleção brasileira campeã de 1958. Na verdade, Djalma só virou titular no jogo final da Copa da Suécia, substituindo De Sordi, que estava machucado. Já Nilton Santos era titularissimo.

Ouvi o jogo entre Brasil x Suécia numa manhã fria de domingo de julho, fascinado com o milagre da técnica que trazia  de Estocolmo até a rua Bagé , onde morávamos no bairro Petrópolis, a voz de Mendes Ribeiro, subindo a descendo pelas ondas da Rádio Guaíba.

Na ingenuidade dos meus 8 anos e sem ter a tv para o tira-teima, imaginava eu que os dois clássicos e talentosos laterais seriam irmãos.  Mesmo com o desmentido da realidade (Djalma era negro quase retinto e Nilton um branquelo), fiquei fã dos dois Santos,  tanto assim que meu primeiro time de botão, um jogo de "panelinhas” era do Botafogo de Nilton Santos.  Anos mais tarde,  jovem e esforçado repórter da  extinta Folha da Tarde, encontrei Nilton Santos em um hotel em Salvador e, cheio de reverência, perguntei se ele me dava uma entrevista.  Sim, sem problema, e aí conheci a grande figura humana que ele era. 

Já o Djalma Santos, que jogava pelo meu verdão Palmeiras,  não tive a ventura de entrevistar e, pior, guardo dele a pior das impressões quando o vi jogar ao vivo.  Foi num jogo entre Grêmio x Palmeiras no velho Estádio Olímpico: ele levou um baile do Volmir,  um ponteiro esquerdo maluquete que se intitulava Volmir Maravilha, gente muito fina e dado a atuações extravagantes, como naquela tarde de domingo de 1965  quando virou Mané Garrincha  e ainda fez um dos gols na goleada de 5 x 1.

Mas nem aquele episódio foi capaz de deslustrar a biografia esportiva de Djalma, nem minha admiração por ele.  Nos tempos da nomenclatura antiga, foi considerado o melhor  lateral direito de todos os tempos, clássico e limpo para um defensor,  capaz de se antecipar aos adversários e, temor das defesas,  cobrava  um arremesso lateral como se fosse um escanteio. 

O atleta varzeano que habitava em mim virou lateral direito, mas diferente do ídolo que sonhava imitar, era tosco e viril, quase desleal como a compensar a falta de condições técnicas.  Reverência demais, futebol  de menos.  Perdão, mestre Djalma e descanse em paz.