domingo, 16 de dezembro de 2012

50 anos de TV, meninos eu vivi.



Sou provavelmente o recordista de entradas e saídas na RBS. Foram cinco oportunidades e mais de 15 anos atuando no grupo, incluindo três vezes na Zero Hora, uma vez na Rádio Gaúcha e outra na RBS TV/TVCom. É importante esclarecer que todas as saídas foram por minha iniciativa, o que me fez perder generosas parcelas do Fundo de Garantia. Não é arrependimento, mas um lamento pelo fato de nunca ter sido jubilado, pois o máximo que permaneci numa das empresas do grupo  foram sete anos, na Rádio Gaúcha, ou seja, faltaram três anos para eu receber o troféu e o relógio (ainda dão relógios?).  Também tive direito a poucos PPRs (programa de participação nos resultados) e fiquei de fora do início do RBS Previ, que incorporava ao fundo previdenciário todos os anos anteriores na empresa.  Com isso, mereceria  o título de homem certo, no lugar certo, na hora errada.
Esse passado me vem a lembrança agora que o grupo comemora os 50 anos da RBS TV, da minha ultima passagem pela RBS, isso de 1999 a 2002.  Volto no tempo e vejo o menino de 12 anos fascinado com a inauguração de mais uma emissora de TV em Porto Alegre:  a TV Gaucha, Canal 12, que veio inovar o meio televisivo local dominado até então pela pioneira TV Piratini, implantada em 1959.  As duas emissoras se instalaram no Morro de Santa Tereza, a menos de um quilômetro uma da outra.  Só que, já a partir do prédio e das identidades visuais, a TV Gaúcha já estabelecia diferencias em relação à envelhecida Piratini, atrelada à confusão que era os Diários Emissoras Associados, de Assis Chateaubriand.  Mas foi uma luta bonita pela audiência, de um lado as modernidades do Canal 12 e do outro a tradição do Canal 5. 

Com o passar dos anos, errando e acertando, investindo em bons profissionais, em conteúdos que reforçassem os valores regionais e, sobretudo, com a afiliação à Rede Globo, que começava a tomar conta do Brasil no inicio dos anos 70 do século passado, a TV Gaúcha/RBS TV assumiu a liderança inconteste entre os gaúchos.  Já a Piratini foi definhando junto com os Associados e teve a concessão cassada e entregue a Silvio Santos – hoje é o SBT de Porto Alegre, enquanto as instalações acabaram ocupadas pela minha amada TVE.
Houve ainda um período de liderança da TV Difusora, Canal 10 , no início da década de 70, quando estava associada à Record de Paulo Machado de Carvalho e ousou bancar a primeira transmissão a cores, na Festa da Uva de 1972.  O investimento malogrado dos padres Capuchinhos, que tinham a concessão, na TV Rio e na TV Record levou a Difusora quase a insolvência até ser negociada à Rede Bandeirantes. Trabalhei nesse época lá nas instalações da Delfino Riet, no Partenon, e acompanhei  o esforço dos padres e dos operadores da TV , Walmor Bergesch e Salimem Junior, para manter os salários em dia.

Certa vez, frei Osébio Borghetti,um dos cabeças dos religiosos, pediu ao locutor Flávio Martins que lesse uma mensagem na Rádio Difusora pedindo o retorno de outro dirigente da ordem, que viajava pelo interior, e sem a assinatura do qual o pagamento não sairia.  Flávio, devidamente motivado pelos companheiros, leu a mensagem em tom dramático, durante o programa de esportes do meio dia : “...por favor, retorne o quanto antes a Porto Alegre.”  O tom era tão dramático que depois da segunda irradiação, a nota já foi retirada. O certo é que no dia seguinte o pagamento foi honrado e essa historinha entra no texto como Pilatos no Credo...

Citei Walmor Bergesch e Salimem Junior porque è aos pioneiros da TV no Rio Grande do Sul,  dos tempos heroicos de poucos recursos técnicos e muita determinação, período e nomes  que o próprio Bergesch  tão bem registra no livro Os Televisionários, que rendo minha humilde homenagem agora que a mais antiga das nossas emissoras em operação completa seu cinquentenário.  E vai também meu reconhecimento, igual que fui, aos profissionais que fazem o dia a dia da RBS TV.  Eu sei o que custa se renovar todos os dias, por isso festejo os inúmeros amigos que fiz nas minhas andanças televisivas. A festa mesmo é quando a gente se vê por aí.