sexta-feira, 18 de março de 2011

Solteirões à solta!


Todos os sessentões, como eu, deveriam assistir ao filme “O Solteirão”, especialmente os metidos a conquistador, que não é o meu caso. Michael Douglas interpreta um picareta de automóveis falido depois de se envolver em uma fraude com notas fiscais. Enquanto tenta recuperar o negócio e o prestigio que desfrutava,  age como um predador sem escrúpulos em relação as mulheres. Seduz até a enteada de 18 aninhos, que aliás vale a incomodação, leva um pé na bunda da mãe da moça, transa com uma amiga da filha e tenta as mesmas vilanias com a namorada de um jovem amigo universitário. Aí cai a ficha: a mocinha rejeita sua conversinha e coloca-o no seu devido lugar. Foi humilhante!

Depois de levar um pau de um capanga do pai da enteada, nosso personagem acaba no hospital e só encontra apoio e redenção na ex-mulher e na filha, que haviam penado poucas e boas com o cara. Cinemão americano é assim: tem que passar uma mensagem positiva no final e o vilão simpático, machucado física e moralmente, volta ao aconchego do lar original - pelo menos é o que induz a última cena.

Na novela Insensato Coração, o personagem do velho canastrão Tarcisio Meira também faz o gênero conquistador de mulheres mais jovens também, se bem que não tão jovens quanto as preferidas de Michael Douglas. Outra diferença é que cabe ao brasileiro o papel de milionário e isso é irresistível para mulheres de qualquer idade, ainda mais em nossas novelas. Já o personagem americano está falido e só tem a experiência acumulada, o charme da madureza e uma convincente conversa para pegar suas presas. Seu cartão de crédito está estourado e se precisar repassar à moça uns 100 dólares para o táxi, por assim dizer, vai passar vergonha, enquanto nosso galã noveleiro pode se dar ao luxo de proporcionar carona num jatinho à dama que conheceu na escada rolante do aeroporto.

Ficção é isso: tornar real o implausível. Mas pergunto: quantos Michael Douglas e Tarcisios Meiras estão à solta por aí, atazanando moças e senhoras e se dando bem muitas vezes? Não importa a estratégia, nem os investimentos empregados, porque esses sujeitos são vocacionados para a conquista e tanto insistem que tem ganhos de escala.

Trato do assunto com um misto de inveja e desprezo. Inveja porque há muito estou fora do mercado (meu lema passou a ser “Era bom!”). Desprezo porque esse pessoal deveria saber envelhecer com dignidade, a exemplo deste recatado blogueiro.