segunda-feira, 10 de abril de 2017

Bons e mau exemplos

Com sincero pesar fui atender à convocação dos proprietários da Palavraria, aquele simpático espaço cultural incrustado em pleno Bom Fim, para uma prestação de contas dos livros Crônicas da Mesa ao Lado comercializados  e devolução do que sobrou. Isso porque a Palavraria encerrou  suas atividades em 30 de dezembro, depois  de mais de dez anos de resistência promovendo a boa literatura.  Expressei minha solidariedade aos proprietários que explicaram que nos últimos dois anos a crise econômica atingiu em cheio o segmento, já que “cultura é tida  como supérfluo”, lamentam.  Nem os frequentes eventos que promoviam conseguiram segurar a onda contrária.

Feito o acerto de contas (sou um dos  mais de 400 listados para isso) fui ter  com outra guerreira, a  Lu Vilela, que há  20 anos mantém a Bamboletras no Centro Comercial Nova Olaria, na Cidade Baixa. A L u foi a primeira a aceitar comercializar o Crônicas, sem muita burocracia e devo reconhecer que o livro teve boa procura, tanto assim que fiz uma reposição e agora fui  receber o resultado das vendas.  Não deu para enriquecer, mas foi o suficiente para trocar por dois livros  infantis (Passarinhos  do Brasil , Poemas que voam, de Lalau e LauraBeatriz e o clássico Um  Menino Daltônico,  do inesquecível Carlos Urbim), que serão presenteados à Maria Clara e à Rafaela.  Grande Lu, as gurias agradecem.
Faço esses registros, positivos ambos, embora melancólico no primeiro caso, para contrastar com os procedimentos da Livraria Cultura, gigante  do setor que, além de não prestar contas dos  livros comercializados, também não dá  retorno aos pedidos de informações. Tenho conhecimento de que pelo menos sete exemplares foram vendidos na filial de Porto  Alegre, uma vez que fui chamado  para retirar 13 livros restantes, do lote de 20 que deixei em  consignação. Por ocasião da  retirada a informação é de que em  três meses  seria feito o repasse da grana. Já  se passaram seis meses e nada, apenas o silencio da administração em São Paulo.
O dinheiro é  o  que menos importa, até  porque a Cultura, diferente das outras parcerias que ficam com 20% a 30% do preço de capa, cobra 50%.  A gente  se submete porque quer ver a obra ser exposta numa grande livraria, facilitando para os eventuais interessados,  mas o mínimo que se exige é retorno que significa respeito.