terça-feira, 4 de abril de 2017

Prova de vida

-Vem cá, deixa eu te dar um abraço.
Quem pede é o Vitor  Hugo, tri secretário estadual (Cultura, Turismo e Esporte),  que  encontrara no subsolo da agencia central Banrisul, tratando, como eu, de burocracias bancárias.
-  Ué, pra quê tanto abraço ? - indago.
-  Porque sou a primeira pessoa a testemunhar que tu realmente está vivo.
Vitor  Hugo fazia referência ao  motivo que me  levara  ao banco : fazer prova de vida, convocado que sou, todos os anos, pela Previdência Social, sob pena de deixar de receber os magros proventos  da aposentadoria.   O bom tri secretário, amigo de longa data, parceiro de outras jornadas e recente prefaciador do livro DezMiolados, cometeu, porém, um equívoco, já  que a primeira testemunha de que eu sou eu mesmo - e bem vivinho -  foi a gerente de conta.
Nesse caso, a burocracia que nos exige prova de vida, certamente para combater  fraudes, revelou-se  uma dádiva para este que vos  fala.  Antes, meu gerente de conta era um rapaz  simpático, agora é uma moça simpática e muito bonita.
Fico  até com vontade de fazer prova  de vida todas as semanas, ou até que ela descubra que sou um despossuído financeiramente e me remeta para a vala comum  dos outros  correntistas. Seria muita chinelagem dessa interesseira.