quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

As 10 pragas modernas da nação amiga

No livro do Êxodo encontra-se uma das mais dramáticas histórias relatadas pelo Antigo Testamento: as 10 pragas do Egito.  Existem divergências quanto a data, mas foi mais de um século antes de Cristo quando o deus de Israel escolheu Moisés para liderar a  saída do povo hebreu do Egito, onde era escravizado. O Faraó da época (Ramsés?), como todo poderoso autoritário e insensível, negou os pedidos de Moisés para que deixasse o povo partir. Diante disso, o Senhor enviou dez sinais, dez pragas que assolaram o Egito, um recado para mostrar ao Faraó quem era mais poderoso.

As pragas começaram com todas as águas do Egito convertidas em sangue; em seguida surgiram rãs em todos os lugares; depois vieram infestações de mosquitos e moscas; na sequencia, os animais ficaram pesteados e as cinzas se transformaram em ulceras nas pessoas e animais; a sétima praga foi uma chuva de pedras e a oitava uma nuvem de gafanhotos que dizimou as colheitas; por fim fez-se escuridão no Egito e, derradeira crueldade divina, todos os primogênitos do país, inclusive de animais e do próprio faraó foram sacrificados. É o que dá brincar com o poder que emana dos céus, embora o perverso efeito das pragas contrarie o conceito, modernamente aceito, de um Deus acima de tudo misericordioso. Mas aí já é outra história.

Como é outra história também o épico bíblico Êxodo: Deuses e Reis, filme dirigido por Ridley Scott, que mostra a chegada das pragas ao Egito e o momento que o Mar Vermelho se abre para Moisés, interpretado por Christian Bale, num papel que fora imortalizado por Charlton Heston em Os 10 Mandamentos, de Cecil B DeMille, rodado em 1956.

Resgates bíblico e cinematográfico a parte, me ocorreu que uma nação que conheço pode estar sendo vítima de flagelos modernos, 10 pragas que são a resposta das divindades à praga maior, a Rainha Corrupção, que reina soberana no tal país como um faraó da antiguidade, corroendo os valores da população.

Há quem entenda que as pragas que assolam o povo do país amigo começaram a evoluir cerca de 12 anos atrás, quando assumiu o poder um grupo de servos que ascendeu socialmente.  Houve grande euforia com a nova ordem, euforia que se transformou em frustração com o fortalecimento da Rainha Corrupção e o advento das pragas, uma a uma, a atormentar o populacho, como se fosse um castigo por terem aderido aos novos poderosos.

Então, começou a faltar energia e luz nas casas, nos espaços públicos  e empresas (praga  1); depois escassearam as águas nos mananciais das grandes cidades (praga 2); e, como nunca antes, o pais foi assolado por grandes temporais (praga 3),  que provocaram inundações, prejuízos materiais e vitimas (praga 4);  proliferaram doenças que deviam estar erradicadas como a Dengue (praga 5);  a violência urbana recrudesceu (praga 6), devido em grande parte à disseminação das drogas que criaram as chamadas Cracolândias (praga 7) em praticamente todas as cidades; a poluição ambiental passou a ser uma séria ameaça no campo e na cidade (praga 8) e a desordem da economia (praga 9) acabou sacrificando ainda mais a população.  Por fim, supremo castigo: o futebol, paixão nacional, foi humilhado em competição mundial, sofrendo impensável goleada para nação de outro continente (praga 10).

Em alguns casos a analogia entre as pragas egípcias e os flagelos modernos é inevitável, como se a história se repetisse em forma de tragédia e farsa, lembram Marx? As pragas envolvendo águas, por exemplo; as trevas egípcias e os apagões no país amigo; a chuva de pedras e os temporais atuais, com chuvas de granizo e muitos raios.  Bem, chega de abrir essa versão moderna  da Caixa de Pandora, até porque o coitado do povo,  diferente dos hebreus confinados no Egito, não tem para onde escapar.