segunda-feira, 19 de abril de 2010

Meu nome é Dionatan

Depois dos Washington chegou a vez da era dos Jonatan, e suas variações, no futebol brasileiro. O Washington podia ser um negro retinto, mas se distinguia pelo nome que homenageia o primeiro presidente americano. Acredito que os pais, ao batizarem o futuro craque, desconheciam a origem do nome, mas a sonoridade e a procedência eram irresistíveis. Com isso, uma legião de Washington e seus assemelhados Uoshinton, Wachiston e outros, povoaram os gramados brasileiros.

O remanescente da era é o Washington Cerqueira, que surgiu no Caxias, passou pelo Grêmio e o Inter e anda metendo seus gols lá no São Paulo. Na mesma linha, surgiram outras extravagâncias como o volante Waldisney, que ainda bate uma bolinha pelo interior do Brasil e cujo nome homenageia (!) o grande Walt Disney.

O cimema e a TV tem grande parcela de responsabilidade sobre os nomes estranhos dos brasileirinhos. Observem a grande quantidade de Suelens surgidas após a exibição da série americana Dallas, sem falar nos personagens de novelas, majoritariamente femininos, que muitas de nossas meninas passaram a ostentar. Não duvido que existam infinidades de Odetes Roithman da Silva espalhadas por aí, mesmo em se tratando de uma personagem que encarnou uma grande vilã da teledramaturgia tupiniquim.

E a profusão de Jonatans no atual futebol brasileiro, qual a origem? A origem do nome é inglesa, de Jonathan, como se assina a maioria dos boleiros com essa designação, mas não consigo encontrar uma personalidade ou fato que sirva de referência inicial para pais e mães de futuros jogadores. Gostaria de saber, por exemplo, por que um ex-aleta do Juventude recebeu o nome de Dionatan, uma corruptela, como tantas outras, do Jonathan original. Só sei que, diferente dos Washington que eram preferencialmente atacantes, os Jonathans exibem seu futebol em todas as posições. (Para validar a tese, o Pelotas mandou a campo no domingo, contra o Inter, o goleiro Jonatas, o zagueiro Jonathas e o meio-campista Jonathan. Três versões num único time!). A única conclusão possível é que pais amorosos, preocupados com o futuro de seus amados filhos, decidiram associar um nome diferente aos Silvas, Santos e Souzas de seus sobrenomes, digamos, menos nobres. Daí também o surgimento dos Sidcleys, Alecsandros, Wescleys, Richarlisons, Maicons e outros mais.

Onde foram parar os Luis Carlos e os Zé Carlos? Sinto saudade dos Paulo Sérgio e dos Sérgios, dos Antonio Carlos e dos Luis Antonio, além dos Mários – que sempre proporcionavam uma brincadeira de mau gosto, relacionada a armário -, todos de presença obrigatória nas mais respeitadas escalações do futebol brasileiro em passado não muito distante.

O refinamento acabou também com os apelidos, tão característico de nossa nomenclatura futebolística. Comparem, por exemplo, a escalação da seleção campeã do mundo de 58, com Pelé, Vavá, Didi, Garrincha e a atual, que defende a tradição dos apelidos apenas com Kaká (com o sofisticado K) e, va lá, Robinho, que representa outra prática em extinção: os diminutivos nas escalações. Acho que estou ficando saudosista.