domingo, 5 de março de 2017

Coisas de mulher

O competente repórter Matheus Schuch, atualmente exilado em Brasília, postou outro dia uma análise sobre a obsessão das mulheres na sua relação com os potinhos, aqueles recipientes de plástico que servem para  acondicionar desde sobras  de comida  a quitutes que alguém preparou com carinho para nos agradar. Os tais  potinhos envolvem rituais de extremo rigor , sendo o mais importante o ato de devolvê-lo à proprietária. “Vocês podem esquecer de devolver qualquer coisa, mas a displicência com um potinho vai trazer consequência graves”, adverte o Matheus.  Pelo jeito, o jovem repórter deve ter enfrentado algumas broncas por  causa  de potinhos esquecidos  ou  extraviados.
Choveram comentários  na  postagem do repórter, a maioria de moças e senhoras, que confirmaram a constatação  dele e reforçaram a importância crucial da devolução, acrescentando que é  de bom tom não devolver a embalagem vazia, retribuindo  com alguma guloseima. Ah,  essas interesseiras, sempre exigindo reciprocidade.
Sei bem da utilidade dos potinhos nas lides domésticas, aqui em  casa não é diferente.  Mas o que me encanta mesmo é -  e atentamente observou o Matheus no caso dos  potinhos -  a dedicação do  naipe feminino  à determinados processos ou a certas formas de agir que podem levar a nós, os ansiosos masculinos, à  loucura.  O melhor exemplo é o manuseio da bolsa, aquele frenético ato em busca do molho de chaves, da carteira e, na pior das hipóteses, do celular que fica berrando para ser atendido. O mexe, remexe parece durar  uma eternidade até o encontro do  que procuram. A situação adquire contornos de dramaticidade quando a busca da carteira ocorre junto ao terminal eletrônico dos bancos, enquanto a fila de marmanjos resmungões vai crescendo atrás. E nada de surgir o cartão de crédito.  

Porém, não  quero passar a ideia de execração às mulheres pela devoção aos potinhos ou pelas atrapalhações com as bolsas. Não mesmo, ainda mais agora que se aproxima o Dia Internacional da Mulher. Na real, até mesmo as duas situações tem lá seu charme e é na simplicidade dessas ações cotidianas que se sobressai o valor feminino.  Ou, como já escrevi num momento de arroubo, reafirmo  que hoje e sempre gostaria que fosse realçado o lado divino, a porção celestial das mulheres, aquilo que elas tem de sublime e que nos leva a amá-las com toda a nossa energia e cometer loucuras de apaixonado em nome desse sentimento que, com certeza, merece as bênçãos da divindade. Mesmo que as vezes sejamos atazanados por causa de um potinho e de qualquer coisa perdida numa bolsa.