sábado, 12 de janeiro de 2013

Quando vale a pena

Semana passada assisti ao encontro do prefeito  José Fortunati com o jovem Guinther Saibro Vieira, 19 anos  que cursou o POP, o  pré-vestibular gratuito da prefeitura, e fez a proeza de conquistar o primeiro lugar no concorrido vestibular de Engenharia Elétrica da PUC.  Como vocês sabem sou um sujeito rodado, mas me emocionou a simplicidade faceira do rapaz,  que se fez símbolo de superação, diante do reconhecimento do prefeito e dos parceiros no POP (União Estadual de Estudantes e Centro dos Estudantes Universitários de Engenharia).  Mais sensibilizado fiquei  quando soube que todos os 78 estudantes que fizeram o vestibular da PUC foram aprovados.  São casos como esse, em que a soma de esforços garante resultados positivos para uma política pública e muda a vida das pessoas, que fazem valer a pena estar no serviço público.

A  gratificação – e não estou falando em retorno material – por estar a serviço do que é público não chega a ser estimulante diante da abrangência e a proporção das demandas e da impotência para atender a tudo e a todos. Daí a frustração que acomete quem tem consciência do real papel do servidor público e que afeta mesmo os agentes políticos atraídos para o executivo. E é mais frustrante quando se enfrenta outros poderes como a Mídia – acima do bem e do mal e  guardiã de toda a verdade -  e o Ministério Público, que quer governar mais que o governo.  Em nome do papel relevante e absolutamente infalível que se atribuem,  esses dois poderes cometem injustiças, equívocos e sandices que só uma postura arrogante pode explicar.

Até consigo entender o comportamento da Mídia que precisa mostrar que não é oficialista, por isso, se for necessário crucificar alguém a ficha 001 vai para o poder público. Teria vários exemplos para confirmar a afirmativa, mas vou me fixar no mais recente “feito” do MP, em que um dos seus luminares representantes decidiu pedir à Justiça o fim de todas as concessões de táxi em Porto Alegre.  Sem entrar no mérito das situações irregulares que teriam embasado o pedido, vamos combinar que se o pedido fosse considerado pela Justiça – e não o foi, felizmente – provocaria o caos no serviço de táxi da cidade, que já está pressionado para que seja ampliado.   O MP quis dar um choque, justificam os que defendem a judicialização proposta. Bobagem, sandice, despreparo. Remédio que mata o paciente não é remédio, é veneno.
Este desabafo já serve para mitigar o incômodo, dolorido às vezes,  provocado pelas ações dessas poderosas forças externas que, aparentemente, não estão comprometidas com a vida real.  Melhor que isso, só o brilho no olhar do jovem Guinther para renovar nossa confiança e nossa energia. Sim, companheiros, vale a pena.