*Publicado nesta data em Coletiva.net
Como
temos a mania de importar modismos dos EUA, tipo Halloween, não me
surpreenderia se em Terra Brasilis começássemos também a escolher a Palavra do Ano.
Os
americanos desenvolveram um sofisticado
processo envolvendo suas mais afamadas universidades para eleger a Palavra do Ano
e o resultado, às vezes, é bizarro, como este ano em que a escolha recaiu sobre
um número: 67. Tratei do assunto na
coluna de 17/11 https://coletiva.net/colunas/academicos-sem-pauta,462387.jhtml
Apenas
como exercício de imaginação qual seria a Palavra do Ano no Brasil? Sugestões é
que não faltariam. No ano passado certamente seria “resiliência”, que resiste
bem e aparece ainda em conversas e textos pós- desastres climáticos. Tem “perrengue”
e “treta”, que surgem em nove em cada
dez entrevistas das chamadas
celebridades. “Narrativa" tem vaga
garantida nos entreveros da política,
assim como “potente”, muito usada pelos
palestrantes descolados para dar ideia de força.. O pessoal da corridas de rua
adora um “bora” e nos comerciais tem aparecido com frequência o “corre”, que acredito ser redução de corre-corre ou de
correria.
Se
me fosse dado o direito de escolher, sem dúvida colocaria minhas fichas em uma
expressão que pegou: “quinta série”. No caso, não se refere diretamente à
quinta série do ensino fundamental, mas serve para descrever um comportamento
infantil ou imaturo, remetendo ao estereótipo de alunos dessa etapa escolar. Tempo
de piadas de baixa extração, na maioria das vezes envolvendo órgãos e relações
sexuais. Só não me peçam exemplos.
O
mais preocupante é que espírito e comportamentos de quinta série contaminaram,
pelo viés da idiotice, da sacanagem explicita e/ou da imaturidade, todo o ambiente da atualidade, da política às relações entre os poderes,
passando pelos embates internacionais,
derivando para a programação das TVs, o protagonismo dos influencers e
chega ao futebol, que, para nosso desgosto, diz respeito ao pífio desempenho
da nossa dupla Grenal Tudo ficou muito raso.
Se
serve como amostra desses tempos quintafeirinos, o que dizer da briguinha do
Lula com o Alcolumbre em torno da indicação de Messias para o STF? E das
recentes decisões de Gilmar Mendes blindando o STF e do Toffoli livrando a cara
do “banqueiro” do Master? E do Bolsonaro indicando o filho Flávio como seu
candidato à presidência da República, para preocupação da direita e satisfação
da esquerda? E o barraco na Câmara depois que um deputado ocupou a cadeira do
presidente e precisou ser retirado à força? Observe-se que listei ocorrências
de pouco mais de uma semana apenas.
“Virou
um frege”, diria dona Thélia, minha saudosa mãe que, em vida, acabaria com essas
besteiradas todas com outra expressão digna de figurar, a seu tempo, entre as palavras do ano : “Vão se
afumentar!”.
*Como
esta é a última coluna do ano desejo a todos os coletivenses boas
entradas e melhores saídas em 2026, e poucas ou nenhuma incidência tipo “quinta série”.
Até já.
Nenhum comentário:
Postar um comentário