*Publicado nesta data em Coletiva.net
Ao mesmo tempo em que destaca a redução da maioria das
incidências de criminalidade, o Rio Grande do Sul não consegue conter a
verdadeira epidemia dos feminicídios, que registram uma alta de 53% este ano em
relação ao mesmo período de 2025. Quando escrevo esta coluna, já foram
registrados 20 casos no estado nos
primeiros meses do ano, colocando o RS na segunda posição no país, ficando
atrás apenas de São Paulo, que tem uma população quase quatro vezes maior.
A verdade é que o feminicídio é um crime de difícil
prevenção, como alegam as autoridades policiais. As vítimas em potencial podem recorrer às
medidas protetivas, mas como evitar que o ex-parceiro drible as cautelas e surja de surpresa para consumar o crime. Os
dados de 2026 mostram que no RS 61,1%
das vítimas foram mortas por ex-companheiros e 38,9% pelos atuais companheiros.
A Associação Riograndense de Imprensa, ARI, se engaja
nas iniciativas que o poder público e a sociedade como um todo realizam para o
enfrentamento desse grave problema de segurança e saúde pública. A
responsabilidade é coletiva e a campanha a ser lançada pela ARI é um chamamento
para isso.
Fundamentalmente, a campanha se propõe a debater o
papel da mídia na cobertura dos feminicídios, como destaca uma das chamadas: “O
feminicídio não começa na manchete”. A pauta não deve explorar a morte, nem
espetacularizar a dor.
A Moove, agência voluntária, deu forma à proposta da
ARI. O lançamento ocorre neste sábado, às 9h30, na sede da ARI (av. Borges de
Medeiros, 915, na escadaria do Viaduto
Otávio Rocha), precedendo o painel Jornalistas Inspiradoras, com a presença de
Manuela Borges, jornalista atuando no Instituto Conhecimento Liberta (ICL) e
Fabiana Reinholz, repórter do Brasil de
Fato e vencedora do Prêmio ARI Banrisul de Jornalismo, pela reportagem sobre
crianças órfãs do feminicídio. A mediação será de Cláudia Coutinho,
vice-presidente da entidade.
Após os eventos, por adesão, será oferecida uma
feijoada no Bar da ARI porque , afinal, ninguém é de ferro.
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