*Publicado nesta data em Coletiva.net
O banqueiro descolado convidou a comitiva de
autoridades para uma escapada a um dos mais exclusivos clubes de Londres, como
só os clubes de Londres sabem ser.
A prévia do encontro foi na saída do evento em que participavam,
promovido pela Revista Urna.
- Vamos lá gente, é tudo por minha conta,- anunciou.
O legislador principal e o magistrado mais amigo foram
os primeiros a aderir. Os outros representantes supremos, o senhor ministro e o
líder da força policial estavam indecisos, mas foram convencidos pela promessa
de que seria boca-livre da melhor qualidade.
- Hoje é por conta da FIFA,- insistiu, num gracejo, o
banqueiro,
Antes de partirem ainda enviou uma mensagem à namorada
número 1.
- Peleleca amada, tu não imaginas com quem vou tomar
umas e outras. Com os capa-preta de Brasília!
Na saída, o banqueiro encostou no magistrado de
apelido aumentativo e confidenciou:
- Segui sua orientação, excelência, e desconvidei o Açougueiro
por temer constrangimento ao nosso ex-líder maior, que será o palestrante
principal.
No clube exclusivo, em região nobre londrina, a
comitiva foi encaminhada a um espaço reservado e logo todos se acomodaram nos
elegantes sofás de couro.
O garçom, vestido a caráter, não tardou, deixando à
disposição os puros cubanos para a fumaceira prazerosa depois dos drinques.
Cerimonioso, o serviçal sugeriu:
- Se as excelências me permitem, sugiro para degustação
o exclusivo The Legitman, 12 anos e meio, especialidade da casa.
Antes de qualquer reação dos convivas, o banqueiro aceitou
a sugestão.
- Good sugestion, vai este mesmo, - respondeu,
misturando idiomas, sem que o garçom mexesse um musculo diante da manifestação de
brasilidade.
A garrafa de design exclusivo, como tudo ali, chegou à
mesa e as excelências foram servidas.
Houve exclamações de aprovação após o primeiro gole.
- Desce redondo!
- Esse dourado indica uma ótima procedência!
- E que garrafa charmosa! Vou perguntar se dá pra
levar!
- Aí enche com Natu Nobilis e ninguém vai notar.
- Quem diria, nós aqui acompanhado de um 12 anos e
meio!
- Tá tão bom, que acho que é um 25 anos!
- Vamos brindar a quê,- perguntou o banqueiro.
- Ao estado democrático de direito e o combate à
corrupção, - sugeriu o magistrado de apelido aumentativo.
- Ao estado democrático de direito e o combate à
corrupção! – brindaram em uníssimo.
Quando a conta chegou, de forma discreta como convêm a
um clube tão exclusivo, todos os convivas fizeram menção de colaborar, buscando
- sem pressa - carteiras que estavam difíceis de localizar nos bolsos dos
casacos. Houve até quem justificasse que havia deixado a sua no cofre do hotel,
por segurança.
- Nada disso, é tudo comigo,- determinou o banqueiro.
“ O estado democrático de direito, o combate à corrupção e, especialmente nossa amizade, mão
tem preço”.
Ato contínuo pagou em dólares os 640 mil da degustação, encerrada com uma baforada
mais, um último gole e um estalar da língua.
O banqueiro descolado e esperto sabia que a conta para
os convidados viria depois.
(Qualquer semelhança desse relato com fatos e pessoas
da vida real terá sido mera coincidência)
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