*Publicado originalmente em coletiva.net em 27/02/2026
Ainda o
Carnaval – Foram
pelo menos três derrotados no desfile da Acadêmicos de Niterói: a escola, que
foi rebaixada, Lula, que acabou enredado com o enredo, e a Rede Globo, que
apanha dos lulistas porque não cobriu o desfile como eles queriam e dos
bolsonaristas porque cobriu o desfile que era uma manifestação política. Os
lulistas mais radicais acreditam que o júri era um bando de bolsonaristas
venais, daí o resultado contrário às expectativas. Na verdade, o rebaixamento da escola deveu-se
não apenas ao enredo polêmico, mas porque o desfile, que é a amostra para o
público e os jurados do conjunto da obra, foi pateticamente ruim. Tanto assim
que a Acadêmicos de Niterói ficou na lanterna do começo ao fim da apuração,
recebendo notas baixas na maioria dos quesitos. No Planalto, o que ficou da
empreitada pode ser resumido naquele dito popular. se arrependimento matasse! Pelo
menos o episódio serviu para renovar a safra de memes político-carnavalescos e,
enfim, é só Carnaval.
Epstein x Vorcaro -
A sacanagem campeia livre nos altos escalões, não apenas em Terra Brasilis, mas
também na maior democracia mundial, os EUA. E sacanagem, no caso, deve ser
tratada com significado amplo, da corrupção envolvendo os poderosos, mas - e
´principalmente - pelas revelações de que é incentivada e sustentada por
festinhas capazes de envergonhar quem participava das orgias de Calígula.
Talvez eu tenha exagerado um pouco, mas o certo é que os dois nomes que
despontam nesse cenário construíram suas poderosas redes de relacionamentos na
base de favores sexuais. Lá, o epicentro girava em torno de Jeffey Epstein, que
acabou preso e foi encontrado morto na cadeia.
Aqui, emergiu a figura de Daniel
Vorcaro, do Banco Master, ameaçando
levar de arrasto gente de peso dos três poderes da República. A diferença entre
os dois casos é que nos EUA as “festas” eram frequentadas até por
ex-príncipes e ex-presidentes. Aqui a
relação de envolvidos parece ser um pouco mais modesta, pelo que se sabe até
agora. Outra diferença está no tratamento dado aos personagens: enquanto até o
festeiro irmão do rei britânico foi preso, aqui Vorcaro só aceita depor na CPI
do INSS se puder viajar num jatinho particular.
Nossas heroínas
- Desde que Ayrton Senna nos deixou estamos carentes de heróis brasileiros. Os
heróis servem de referência pelas suas atitudes e posicionamentos, firmeza nos
enfrentamentos, qualidades profissionais e virtudes pessoais. Houve um tempo em que os heróis respeitados e
cultuados eram os senhores da Guerra, depois vieram os estadistas e agora os
grandes heróis, aqueles em que as pessoas se espelham, são recrutados no Esporte
e na Cultura, o que talvez represente uma evolução do gênero humano. O problema
dos desportistas-heróis é que no Brasil eles têm prazo de validade. Já tivemos
Gabriel Medina, no surfe e outros menos votados. A turma do futebol como Neymar
e Vini Jr não empolga mais e, dos outros esportes, o pessoal do vôlei se
sobressai mas não se mantém nos corações e mentes dos brasileiros. O jovem tenista João Fonseca pintou bem, mas ainda está longe do pedestal
da idolatria de um Guga Kuerten, assim
como o medalhista de ouro nos Jogos de Inverno, Lucas Pinheiro, que nem
brasileiro é e que, literalmente, já tombou nesse ranking. Nem tudo está perdido, entretanto: as
multicampeãs fadinha Rayssa Leal, no skate
e Rebeca Andrade, ouro na ginástica artística, estão no lugar mais alto
do podium, servindo de exemplo e inspirando as novas gerações,
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