Goiabices
*Publicado em 17/07/2026 em coletiva.net
Sempre fui um tanto distraído, característica que
herdei de meu pai. Mas ultimamente tenho me superado. Coisas da idade. No mais
recente episódio, consegui comparecer a um evento com 24 horas de antecedência.
Essas antecipações têm sido reincidentes e não é de hoje, o que me leva a pensar como desculpa que sou um
homem adiante do meu tempo.
Entretanto, em família tais situações são conhecidas
como goiabices e tenho sido alvo de bulling por isso, inclusive das netas, que
deviam ter mais respeito com os idosos.
Livia, com o espírito debochado que, lamento dizer, herdou de mim, do
alto dos seus 7 anos não perdoa: “O vô está ameixa”, trocando a fruta que
carrega o simbolismo das mancadas, talvez porque ela prefira ameixas a goiabas.
Pisou no tomate com o vô e acho que não vai ganhar as canecas que deixarei de
herança. A verdade é que com uma ou
outra fruta, minha autoestima fica abalada. Que abacaxi!
Ao saber do meu mais recente episódio, amigo e
parceiro de outras jornadas foi perguntar para a Inteligência Artificial como
tratar goiabice. A resposta foi digna de uma goiabice, vejam só: “para tratar
de um pé de goiaba, garanta pelo menos 6 horas diárias de sol, regue moderadamente
para manter o solo úmido (sem encharcar) e faça podas anuais para arejar a
copa”.
Assim, continuo sem saber por que a saborosa goiaba é
associada à distração, esquecimento, bobagem ou manifestação de burrice
explicita. Admito que me enquadro em todos as acepções de goiabice.
Na verdade, é preciso que se reabilite a goiaba, tão
vilipendiada em significados fora da fruticultura. Trata-se de uma
fruta rica em fibras, antioxidantes e outros nutrientes, como as vitaminas
A, B e C. Ajuda a melhorar a saúde gastrointestinal, aumentar as defesas
do organismo, favorecer a perda de peso e promover a saúde da pele. É
associada, por exemplo, à fertilidade, abundância e
prosperidade. Além disso, a goiaba também é considerada um símbolo
de amor e romance, sendo frequentemente utilizada em rituais de casamento e
celebrações de união. São os dados coletados na busca incansável por respostas às
trairagens da minha memória. Se não fui traído novamente, acho até que já
tratei desse assunto em outra crônica.
Porém, depois dessa criteriosa pesquisa, já não me
sinto insultado ao ser chamado de Goiaba, sem contar que a menção a ela remete
aos melhores momentos da minha infância e juventude, quando escalava a
goiabeira no pátio da morada dos Dutras e comia o fruto já maduro, recém colhido.
Até proponho, como desculpa e reparação pelas aleivosias feitas até agora, que
juntos brademos: “Somos todos Goiaba!”. Ou “Ameixa”, para contentar
minha neta.
Só que continuo sem saber por que a goiaba é associada
a caduquices em geral.
Sempre fui um tanto distraído, característica que
herdei de meu pai. Mas ultimamente tenho me superado. Coisas da idade. No mais
recente episódio, consegui comparecer a um evento com 24 horas de antecedência.
Essas antecipações têm sido reincidentes e não é de hoje, o que me leva a pensar como desculpa que sou um
homem adiante do meu tempo.
Entretanto, em família tais situações são conhecidas
como goiabices e tenho sido alvo de bulling por isso, inclusive das netas, que
deviam ter mais respeito com os idosos.
Livia, com o espírito debochado que, lamento dizer, herdou de mim, do
alto dos seus 7 anos não perdoa: “O vô está ameixa”, trocando a fruta que
carrega o simbolismo das mancadas, talvez porque ela prefira ameixas a goiabas.
Pisou no tomate com o vô e acho que não vai ganhar as canecas que deixarei de
herança. A verdade é que com uma ou
outra fruta, minha autoestima fica abalada. Que abacaxi!
Ao saber do meu mais recente episódio, amigo e
parceiro de outras jornadas foi perguntar para a Inteligência Artificial como
tratar goiabice. A resposta foi digna de uma goiabice, vejam só: “para tratar
de um pé de goiaba, garanta pelo menos 6 horas diárias de sol, regue moderadamente
para manter o solo úmido (sem encharcar) e faça podas anuais para arejar a
copa”.
Assim, continuo sem saber por que a saborosa goiaba é
associada à distração, esquecimento, bobagem ou manifestação de burrice
explicita. Admito que me enquadro em todos as acepções de goiabice.
Na verdade, é preciso que se reabilite a goiaba, tão
vilipendiada em significados fora da fruticultura. Trata-se de uma
fruta rica em fibras, antioxidantes e outros nutrientes, como as vitaminas
A, B e C. Ajuda a melhorar a saúde gastrointestinal, aumentar as defesas
do organismo, favorecer a perda de peso e promover a saúde da pele. É
associada, por exemplo, à fertilidade, abundância e
prosperidade. Além disso, a goiaba também é considerada um símbolo
de amor e romance, sendo frequentemente utilizada em rituais de casamento e
celebrações de união. São os dados coletados na busca incansável por respostas às
trairagens da minha memória. Se não fui traído novamente, acho até que já
tratei desse assunto em outra crônica.
Porém, depois dessa criteriosa pesquisa, já não me
sinto insultado ao ser chamado de Goiaba, sem contar que a menção a ela remete
aos melhores momentos da minha infância e juventude, quando escalava a
goiabeira no pátio da morada dos Dutras e comia o fruto já maduro, recém colhido.
Até proponho, como desculpa e reparação pelas aleivosias feitas até agora, que
juntos brademos: “Somos todos Goiaba!”. Ou “Ameixa”, para contentar
minha neta.
Só que continuo sem saber por que a goiaba é associada
a caduquices em geral.