*Publicado em coletiva.net. em 08/05/2026
Cada vez que apelo para um assunto nostálgico, como na
última coluna, não faltam interações dos meus poucos, mas fiéis leitores. Para
contextualizar, reproduzi na coluna as colaborações do amigo e experiente
jornalista Antonio Goulart sobre a linguagem vintage da crônica esportiva do
RS.
A designação
dos clubes mereceu um capítulo à parte. Alguns exemplos: Tricolor/Mosqueteiro da Baixada (Grêmio),
Diabos-rubros dos Eucaliptos (Inter), Jalde-negro da Rainha da Fronteira
(Bagé), Xavante (Brasil) e Aureo-cerúleo (Pelotas) da Princesa do Sul, Vovô da
Noiva do Mar (Rio Grande).
Nada supera, porém, como foi a narração de Marcos
Amaral pela Rádio Gaúcha de um ataque do Água Verde, time paranaense, hoje
desativado, contra o Grêmio, pela Taça Brasil de 1968:
- Sobe para o ataque da equipe hidro esmeraldina...
Só faltou acrescentar que os bravos defensores do
Mosqueteiro da Azenha neutralizaram a ofensiva áqua- verdosa.
Quem relatou o episódio foi o José Evaristo
Villalobos, o Nobrinho, competente repórter de grande vivência no esporte, com
o qual tive o privilégio de trabalhar na Zero Hora. Sobre o Marcos Amaral,
agora lembro eu, foi namorado da jovem Elis Regina, quando conviveram na Rádio Gaúcha,
nos estúdios no Edifício União. Mas essa
é outra história, nada a ver com o ataque hidro esmeraldino.
Mais uma do Nobrinho, também talentoso como contador
de histórias. Esta diz respeito ao Claudiomiro, grande figura e um centroavante
que deixou saudades. O episódio aconteceu num jogo Santos x Inter, pelo Torneio
Roberto Gomes Pedrosa de 1968, vencido por 3 x 1 pelo time de Pelé, que deu um
baile nos colorados. Ao final da contenda, Claudiomiro foi entrevistado e
saiu-se com esta pérola:
- Perdemos feio, mas pelo menos pude conversar
bastante com o Ramos Delgado.
Ramos Delgado era um ótimo zagueiro argentino e
capitão do time santista, o que ensejou a pergunta do repórter.
- Mas tu conheces o Ramos Delgado?
A resposta do Claudiomiro, com aquele seu jeitão
espontâneo, foi mais surpreendente ainda
- Conheci agora no jogo, mas como a bola nunca vinha
pra mim no ataque, tive tempo de falar bastante com ele. Parece gente boa.
Existe muito folclore em relação ao Claudiomiro, como a
explicação que havia escolhido “vermelejos”
e não azulejos (afinal, era colorado) numa obra em casa, ou que o jogo do Inter
seria em “Belém, onde nasceu Jesus”, história também atribuída a outros
jogadores menos conhecedores da geografia e das Bíblia, e tem ainda àquela em
que teria agradecido “as brhaminhas da Polar”, prêmio de uma emissora por ter
sido escolhido o melhor em campo.
Apesar das “versões”, bons tempos aqueles,