*Publicado nesta data em Coletiva.net
O acesso as fontes das informações está cada vez mais
restrito, seja na política, na Justiça, na gestão pública, ou mesmo no esporte.
As redações ficarem reféns das assessorias de imprensa que, na maioria dos
casos, cumprem bem seu papel de meio campo, mas não deixam de ser um anteparo
às fontes demandadas. Assim, causa estranheza quando uma repórter como Malu
Gaspar aparece com informações quentíssimas e exclusivas sobre o caso do Banco
Master. Certamente dispensou intermediários para levantar aos fatos.
A apuração
rigorosa, a investigação aprofundada virou exceção no jornalismo praticado no
Brasil. Atuei nos dois lados do balcão
e, por isso, acredito que falo com conhecimento de causa. Esse distanciamento, pela falta de relação
direta com as fontes, gerou dois efeitos danosos, que realimentam o processo de
marasmo do jornalismo: de um lado, a acomodação dos profissionais da
reportagem, presos ao celular e cada vez
mais afastados de onde a vida acontece; de outro, os veículos apelando para os
comentaristas/colunistas para suprir as lacunas do noticiário. O primado da
opinião sobre a informação.
E tem ainda a disseminação do uso das redes sociais pelas
fontes, ou seja, cada postagem vale como uma nota oficial, que será reproduzida
pela mídia, integral ou parcialmente, sem necessidade de ouvir o emissor, ou
que este se submeta às perguntas incômodas de uma entrevista coletiva. Essa
estratégia já mereceria um tratado acadêmico,
A propósito, reproduzo o que escreveu o jornalista Tutty
Vasquez, autor de textos bem humorados, mas não é bem o caso quando tratou do
que chama de “comentarismo”:
“Ou o Brasil muda de assunto ou a Globonews muda sua
programação! Ninguém aguenta mais ouvir o Camaroti, o Valdo, o Merval, a
Natuza, o Gabeira, a Dualib, o Demétrio, o Trigueiro, a Ana Flor, o Colombo, a
Sadi, a Flavinha, aquele jovem ‘filósofo’ que tem uma verruga no meio da testa,
aquele outro economista que fala fino e, last but not least, o Guedinho, todos
dizendo as mesmas coisas todos os dias, o dia todo. O pior é que esse troço
vicia! O jornalismo está sob ataque do comentarismo!”
Data vênia, assino embaixo.