*Publicado nesta data em Coletiva.net
Um verdadeiro poder
paralelo aos poderes constituídos tem funcionado no Brasil, rivalizando com
Lula e Janja, Alcolumbre e Alexandre de Moraes, PF e PGR. Esse poder passa pela
família Batista, ramo dos irmãos de
nomes inconfundíveis: Wesley e Joesley. Wesley, 53 anos, e Joesley, 52
anos, são sócios da J&F, empresa que controla a JBS, e começaram a trabalhar
no negócio ainda na adolescência, com 17 e 16 anos, respectivamente.
O envolvimento dos irmãos
nos círculos do poder e dos poderosos ficou explicito em 2017, quando fecharam
acordo com a Procuradoria Geral da República, PGR, no âmbito da falecida
Operação Lava Jato, pela participação em atos de corrupção e pagamento de
propina. Valor do acordo: R$ 10,3 bilhões!
É importante lembrar que
no episódio os Batistas tiveram uma grande exposição também por revelaram que
gravaram o então presidente Michel Temer dando aval para comprar o silêncio do
deputado cassado Eduardo Cunha, preso na Operação Lava Jato, o que gerou mais uma
crise institucional na República. .
Pelo menos, a lição foi
apreendida. De lá para cá, os irmãos passaram a atuar nos bastidores, sendo
bem-sucedidos nas suas empreitadas, sejam empresariais, ou no âmbito jurídico,
ou mesmo no campo diplomático, o que significa que seus tentáculos não se
limitam ao Brasil.
Chegaram a ser presos
entre 2017 e 18, mas posteriormente foram absolvidos pela Comissão de Valores
Mobiliários, CVM, da acusação de utilizar informações privilegiadas para lucrar
com ações da JBS em meio a Lava Jato.
Não pararam aí as
manobras. Acompanhe algumas movimentações:
- em dezembro de 2023, o
ministro Dias Toffoli (sempre ele!), do STF, suspendeu o pagamento da multa de
R$ 10,3 bilhões do grupo J&F, fechada no acordo de leniência com o
Ministério Público Federal,
- em março de 2024, a JBS
anunciou à Comissão de Valores Mobiliários a indicação dos
irmãos Wesley e Joesley para duas novas vagas abertas no seu conselho de
administração.
- em setembro de 2025,
Wesley encontrou-se com Trump na Casa Branca, tratando dos impactos do tarifaço
sobre os consumidores dos EUA, encontro que foi decisivo para que ocorresse
depois a “química” entre o presidente americano e Lula.
- em novembro de 2025,
Joesley se encontrou com Maduro em
Caracas e sugeriu que ele renunciasse e se exilasse na Turquia.
- o Itamaraty impôs
sigilo diplomático sobre as informações que dão conta da participação dos
irmãos Batista na Venezuela, onde controlam poços de petróleo desde 2024.
O poder dos Batista está
ancorado numa fortuna calculada pela revista Forbes em R$ 43 bilhões. No
ranking dos bilionários brasileiros Joesley e Wesley aparecem respectivamente
em 14º e 15º lugares, com um patrimônio de R$ 7.6 bilhões, mas não será exagero
afirmar que esses números talvez já estejam defasados. Ambos controlam a JBS
S.A. a maior indústria de alimentos do mundo, que tem seus produtos
comercializados em 180 países. Só no Brasil, a multinacional emprega 158 mil
pessoas.
Os negócios dos irmãos
estão consolidados na holding J&F, que administra oito principais empresas em mais de 20 países, reunindo mais
de 50 marcas, com um patrimônio líquido
de R$ 55 bilhões. Você provavelmente
possui em casa, usa ou já usou algum produto ou serviço dessas marcas: Delícia,
Doriana, Seara, Primor, Friboi, Maturatta PicPay, Mat Inset, Banco Original,
Canal Rural e por aí vai.
A reflexão que se impõe é
sobre qual é o verdadeiro poder na República, se o político ou o econômico. O
político está permanentemente sob os holofotes, para o bem e para o mal,
enquanto o econômico prefere a coxia ao palco. Quando interagem, é comum ficar aquela
suspeita sobre que interesses estariam em jogo e quem se beneficia com o quê. No
caso dos irmãos Batista, parece claro que o poder que eles emanam não quer se
sobrepor ao poder das instituições, mas ser aliado quando convém e cooptado
quando necessário, nem sempre com relações insuspeitas.
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