*Publicado nesta data em Coletiva.net
Em tempos de internet tudo o que foi declarado pode
ser resgatado e usado contra o autor. Não existe mais privacidade. Tudo fica ao
alcance de um simples Ctrl.
Agora mesmo, quando empresas e influencers que seriam
identificados com a esquerda estão ameaçados de boicote, no terceiro turno da eleição,
a merecer veementes protestos e condenações, foi resgatada uma declaração do
então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, após a disputa presidencial de
2022, vencida por Lula. “No Brasil, em função do engajamento de algumas
empresas com o governo extremista que foi derrotado, muita gente deixou de
consumir os produtos dessas empresas. Eu sou um que não consumo sem prestar
atenção de quem eu tô adquirindo o produto”, falou Haddad.
Como a comprovar que as eleições no Basil tem colocado frente a frente duas
faces da mesma moeda, uma rápida pesquisa na Internet revela várias postagens
com títulos quase iguais, mas com personagens distintos, tipo “Falas polêmicas
de Lula para relembrar”, ou “Relembre as
frases polêmicas de Bolsonaro”.
Aparece de tudo nessas pesquisas e o termo polêmicas, na verdade,
ameniza frases carregadas de preconceitos
ou, no mínimo, infelizes. O falastrão Lula abre a série com a “brincadeira”
sobre Pelotas " cidade polo,
exportador de veados...”, quando foi gravar para a campanha à prefeito da
cidade. Depois chamou as feministas do PT de ‘mulheres do grelo duro’, sem
contar a declaração de que “se o cara é
corinthiano, tudo bem”, ao comentar o aumento da violência contra as mulheres
depois de jogos,
Bolsonaro, sem freio nas falas, por sua vez, respondeu
assim ao questionamento de como reagiria tendo um filho gay: “Para mim é a
morte. Digo mais: prefiro que morra num acidente do que apareça com um bigodudo
por aí. Para mim ele vai ter morrido mesmo” . E tem o episódio com a deputada
Maria do Rosário, nos corredores da Câmara, quando sentenciou : “Eu jamais ia
estuprar você porque você não merece”.
Vão para conta das frases infelizes ou de inversão de conceitos as afirmações
de Lula de que o Brasil seria um dos países mais respeitados no “crime
organizado” quando pretenderia falar sobre o combate a ele, ou então que os
traficantes seriam vítimas dos usuários de drogas. Já Bolsonaro foi direto e
incisivo ao defender, em várias ocasiões, mais do que a tortura no país. “O
erro da ditadura foi torturar e não matar”, disse, literalmente.
Teriam mais e mais exemplos, incluindo de Flávio Bolsonaro que penou na
campanha eleitoral, quando os programas de Lula resgataram um pronunciamento do
adversário defendendo as milicias. “Não se pode estigmatizar as milicias”, foi
a frase inconveniente.
A verdade é que não tem mocinho no andar de cima. E não adianta tentar remover
o que foi dito. Fica tudo nas nuvens, o que me leva a parafrasear Saint-Exupéry:
És eternamente responsável pelo que declaras.