sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Quem manda neste país?

*`Publicado nesta data em Coletiva.net

Afinal, quem está governando, de fato, o Brasil? O questionamento faz sentido diante da pulverização do poder que se observa, justamente partir  do centro do poder, que é Brasília. O chefe do Executivo,  que seria o responsável primeiro pela administração do pais, é o presidente da República. Luiz Inácio  Lula da Silva.  Entretanto, Lula precisa fazer arreglos com o presidente do Senado, o esperto Davi Alcolumbre, que tem a caneta na mão para despachar para a votação  os projetos de interesse do governo. O insosso presidente da Câmara, Hugo Motta,  também é cortejado porque o Legislativo assumiu grande parte da execução do Orçamento da República e quem tem a chave do cofre, tem poder. Até por isso, nunca antes na história da República  o Executivo foi tão dependente das decisões do Legislativo e agora também do Judiciário.

Ah, o Judiciário e sua corte maior. O contestado STF, mesmo assim, manda e desmanda, legisla muitas vezes em causa própria, determina  quem vai preso e quem deve ser solto, anula processos e vai além das suas prerrogativas de defensor da Constituição. Igualmente, nunca antes o STF se outorgou tantos poderes como agora, com revezamento entre suas excelências para saber quem está podendo mais no momento.

Cresce também  o poder de uma instituição que deveria ser a mais confiável do Estado:  a Polícia Federal. Como tem o mapa da mina das informações privilegiadas, a PF extrapola o seu poder e, com frequência, foge ao controle, deixado de ser ima instituição de Estado para ficar a serviço do governante de plantão. Ou, ao contrário, tem tanto poder que pode  aprontar até contra o presidente, como está ocorrendo agora no caso do Lulinha e seus lobbies junto ao governo.

Tem ainda o deus Mercado, todo poderoso, com suas garras mais visíveis representadas pelos times da Faria Lima e o sistema bancário,  símbolos do poder do mercado financeiro brasileiro, ditando dia após dia,  - preferencialmente em seu benefício - os rumos da política econômica nacional que, ao fim e ao cabo, é o que garante a governabilidade. 

Ah, não vai faltar quem faça a cobrança: “Não vai falar da Rede Globo e do poder da mídia em geral?”.  A mídia está em crise, com credibilidade em baixa,  perdendo audiência, leitores e ouvintes e não tem o mesmo poder de influir nos destinos da nação, como a  Globo fez na disputa entre Collor e Lula, nas eleições de 1989.  Então, vai para a prateleira da segunda divisão dos poderes.

Essa análise, sem nenhuma pretensão acadêmica, até se justifica porque  este anovamos escolher um novo presidente da República, mas não necessariamente quem vai governar o país.

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