sábado, 18 de julho de 2026

Goiabices

 Goiabices

*Publicado em 17/07/2026 em coletiva.net

Sempre fui um tanto distraído, característica que herdei de meu pai. Mas ultimamente tenho me superado. Coisas da idade. No mais recente episódio, consegui comparecer a um evento com 24 horas de antecedência. Essas antecipações têm sido reincidentes e não é de hoje,  o que me leva a pensar como desculpa que sou um homem adiante do meu tempo.

Entretanto, em família tais situações são conhecidas como goiabices e tenho sido alvo de bulling por isso, inclusive das netas, que deviam ter mais respeito com os idosos.  Livia, com o espírito debochado que, lamento dizer, herdou de mim, do alto dos seus 7 anos não perdoa: “O vô está ameixa”, trocando a fruta que carrega o simbolismo das mancadas, talvez porque ela prefira ameixas a goiabas. Pisou no tomate com o vô e acho que não vai ganhar as canecas que deixarei de herança.  A verdade é que com uma ou outra fruta, minha autoestima fica abalada. Que abacaxi!

Ao saber do meu mais recente episódio, amigo e parceiro de outras jornadas foi perguntar para a Inteligência Artificial como tratar goiabice. A resposta foi digna de uma goiabice, vejam só: “para tratar de um pé de goiaba, garanta pelo menos 6 horas diárias de sol, regue moderadamente para manter o solo úmido (sem encharcar) e faça podas anuais para arejar a copa”.

Assim, continuo sem saber por que a saborosa goiaba é associada à distração, esquecimento, bobagem ou manifestação de burrice explicita. Admito que me enquadro em todos as acepções de goiabice.

Na verdade, é preciso que se reabilite a goiaba, tão vilipendiada em significados fora da fruticultura. Trata-se de uma fruta rica em fibras, antioxidantes e outros nutrientes, como as vitaminas A, B e C. Ajuda a melhorar a saúde gastrointestinal, aumentar as defesas do organismo, favorecer a perda de peso e promover a saúde da pele. É associada, por exemplo, à fertilidade, abundância e prosperidade.  Além disso, a goiaba também é considerada um símbolo de amor e romance, sendo frequentemente utilizada em rituais de casamento e celebrações de união. São os dados coletados na busca incansável por respostas às trairagens da minha memória. Se não fui traído novamente, acho até que já tratei desse assunto em outra crônica.

Porém, depois dessa criteriosa pesquisa, já não me sinto insultado ao ser chamado de Goiaba, sem contar que a menção a ela remete aos melhores momentos da minha infância e juventude, quando escalava a goiabeira no pátio da morada dos Dutras e comia o fruto já maduro, recém colhido. Até proponho, como desculpa e reparação pelas aleivosias feitas até agora, que juntos brademos:  “Somos todos Goiaba!”. Ou “Ameixa”, para contentar minha neta.

Só que continuo sem saber por que a goiaba é associada a caduquices em geral.

Sempre fui um tanto distraído, característica que herdei de meu pai. Mas ultimamente tenho me superado. Coisas da idade. No mais recente episódio, consegui comparecer a um evento com 24 horas de antecedência. Essas antecipações têm sido reincidentes e não é de hoje,  o que me leva a pensar como desculpa que sou um homem adiante do meu tempo.

Entretanto, em família tais situações são conhecidas como goiabices e tenho sido alvo de bulling por isso, inclusive das netas, que deviam ter mais respeito com os idosos.  Livia, com o espírito debochado que, lamento dizer, herdou de mim, do alto dos seus 7 anos não perdoa: “O vô está ameixa”, trocando a fruta que carrega o simbolismo das mancadas, talvez porque ela prefira ameixas a goiabas. Pisou no tomate com o vô e acho que não vai ganhar as canecas que deixarei de herança.  A verdade é que com uma ou outra fruta, minha autoestima fica abalada. Que abacaxi!

Ao saber do meu mais recente episódio, amigo e parceiro de outras jornadas foi perguntar para a Inteligência Artificial como tratar goiabice. A resposta foi digna de uma goiabice, vejam só: “para tratar de um pé de goiaba, garanta pelo menos 6 horas diárias de sol, regue moderadamente para manter o solo úmido (sem encharcar) e faça podas anuais para arejar a copa”.

Assim, continuo sem saber por que a saborosa goiaba é associada à distração, esquecimento, bobagem ou manifestação de burrice explicita. Admito que me enquadro em todos as acepções de goiabice.

Na verdade, é preciso que se reabilite a goiaba, tão vilipendiada em significados fora da fruticultura. Trata-se de uma fruta rica em fibras, antioxidantes e outros nutrientes, como as vitaminas A, B e C. Ajuda a melhorar a saúde gastrointestinal, aumentar as defesas do organismo, favorecer a perda de peso e promover a saúde da pele. É associada, por exemplo, à fertilidade, abundância e prosperidade.  Além disso, a goiaba também é considerada um símbolo de amor e romance, sendo frequentemente utilizada em rituais de casamento e celebrações de união. São os dados coletados na busca incansável por respostas às trairagens da minha memória. Se não fui traído novamente, acho até que já tratei desse assunto em outra crônica.

Porém, depois dessa criteriosa pesquisa, já não me sinto insultado ao ser chamado de Goiaba, sem contar que a menção a ela remete aos melhores momentos da minha infância e juventude, quando escalava a goiabeira no pátio da morada dos Dutras e comia o fruto já maduro, recém colhido. Até proponho, como desculpa e reparação pelas aleivosias feitas até agora, que juntos brademos:  “Somos todos Goiaba!”. Ou “Ameixa”, para contentar minha neta.

Só que continuo sem saber por que a goiaba é associada a caduquices em geral.

Nenhum comentário:

Postar um comentário