* Publicado nesta data em Coletiva.net
Para além do desempenho do time do Brasil, o grande
debate estabelecido na recente Copa do
Mundo foi a cobertura da Caze TV x
cobertura da Rede Globo. O fenômeno Cazé TV encantou os aficionados, com a transmissão em canal fechado de todos os jogos do mundial,
contra o cardápio bem mais restrito da
Globo. Brasileiro que se preze torce até para transmissão de futebol na TV e,
neste quesito, pela novidade e ousadia, a Caze parece levar vantagem,
A Globo reagiu e de alguma forma passou recibo de como
foi afetada pela repercussão do trabalho da Caze. Lançou uma campanha promovendo a adoção da antena para
melhorar a recepção do seu sinal: “Com a antena o grito de gol é na hora”, afirmava
no anúncio o narrador Everaldo Marques ,
dando a entender que o delay nas transmissões da concorrente pode ser gol
contra. Além disso, alardeou nas jornadas da Copa que 85% do público total dos
jogos está ligado na rede. Seguiu-se uma batalha de números sobre audiência de
um lado e de outro, enquanto nas redes sociais surgiam explicações e várias
versões sobre a origem da Caze e sua associação com o grupo global da LiveMode
- Cristiano Ronaldo, entre outros,
tornou-se acionista da LiveModeTV (divisão internacional do grupo). O tom é de denúncia, como se as negociações
fossem repletas de irregularidades, entretanto, sem comprovações consistentes.
A verdade é que a oferta de todos os jogos acabou
fidelizando a audiência da Caze, que acabou se acostumando ao estilo e à equipe
da TV de Casimiro e surpreendendo a Globo, que decidiu reagir. É verdade também
que o delay na transmissão é perturbador.
Cito como exemplo Brasil x Japão, que assisti pela Caze: os jogadores do
Brasil ainda trocavam passes nas imediações da área adversária quando uma
gritaria vindo dia rua festejava o gol de Martinelli; igualmente o final do jogo, com o Japão
atacando e o arbitro nem aí pra o relógio, quando veio os gritos de vitória
direto da vizinhança que acompanhava pela TV aberta ou o rádio. É uma sensação
muito estranha. Não calculei o tempo de diferenças entre uma transmissão e
outra, mas acredito que seja de, no mínimo, 30 segundos, uma eternidade na
movimentação em campo. Repeti a dose em
Brasil x Noruega e. no caso, pelo menos levei 30 segundos para confirmar a desclassificação brasileira...
Essa conta não vai sair barato para a Caze,
que já estaria sofrendo restrições para a compra de direitos de competições da
CBF e da própria Fifa. Em outra frente,
o Conar (Conselho Nacional de Auto Regulamentação Publicitária)
considerou abusiva as propagandas das casas de aposta durante as transmissões.
Interessante é que a CBF vendeu para a Betano o patrocínio do Brasileirão, a
maioria dos times tem nas camisas patrocínio de sistemas de jogos, mas pelo
jeito só a Cazé não pode fazer isso. Vale lembrar que a overdose de menções
sobre as bets não é muito diferente do que se ouve diariamente nas emissoras de
rádio e mesmo de TV. Não
custa lembrar também que a Globo tem
suas loterias, com muitos comerciais na programação, a Cartola FC e o Familião,
promovido a rodo pelo Luciano Huck, enquanto o SBT cresceu graças ao Bau da
Felicidade. Então, vamos parar de hipocrisia.
Sobre
todo esse imbróglio restam duas observações ainda: a concorrência só é
“benéfica” e estimulante quando não ameaça meu butim; tantas mazelas no nosso
dia a dia e a gente discutindo a briguinha entre a Caze TV e a Globo.
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