*Publicada nesta data em Coletiva.net
Na semana passada participei, juntamente com mais nove
coautores, da sessão de autógrafos do livro Viva a Várzea – Prorrogação.
Foi um evento bem prestigiado no Chalé da Praça 15,
mas aí é que mora o perigo, que batizei de Síndrome da Fila de Autógrafos. Funciona assim: aquele amigo dos velhos tempos
está na fila esperando sua dedicatória. Ele vem chegando, vem chegando e, justamente
quanto está mais próximo da mesa de autógrafos, surge aquele branco e você não
consegue lembrar o nome do sujeito. E
ele vem chegando, vem chegando e apesar dos exercícios e relações feitas para
que o nome brote, parece que, com a angústia, até fica pior.
Isso acontecia mais em temos pré post-it,
aquele papelzinho colorido com o nome do agraciado, para orientar o autor. Mas ainda hoje o velho amigo está plantado na
tua frente, esperando teus garranchos e o tal papelzinho sumiu. Para essas
situações bolei algumas estratégias como apelar para que soletre o sobrenome,
torcendo para que não seja um Silva, Souza ou assemelhados. Ou então perguntar,
como quem não quer nada, “como vão todos lá?”, na esperança que venha junto a
lembrança do nome.
Na verdade, é preciso estar preparado para tudo, o que
me lembra um episódio ocorrido com o saudoso professor Ruy Carlos Ostermann;
Ele autografava um dos seus livros quando chega a vez de Roberto Casado
D’Azevedo. Os dois trabalharam no Esporte da Zero Hora, mas o desamparado
professor foi acometido da Síndrome da Sessão de Autógrafos. Para resolver a
situação, perguntou educadamente ao Roberto:
- Para quem é o autógrafo?
- Para mim, respondeu o safo do Roberto,
Resposta que deixou o Ruy desconcertado, até que foi
socorrido pelo próprio Roberto, Fosse eu que estivesse autografando sapecaria a
dedicatória: “Ao Pra mim, com um abraço do Ruy”. Claro que o
gentil professor não se prestaria a isso.
Outra angústia recorrente que ataca autores, inclusive
os maios talentosos, é a Síndrome da Folha em Branco. As vítimas preferenciais
são aquelas que tem prazo a cumprir , uma tela em branco na frente e as ideias
para começar o texto não vem. Mas isso é assunto para outra coluna.
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