sexta-feira, 5 de junho de 2026

Síndrome da Fila de Autógrafos

*Publicada nesta data em Coletiva.net

Na semana passada participei, juntamente com mais nove coautores, da sessão de autógrafos do livro Viva a Várzea – Prorrogação.

Foi um evento bem prestigiado no Chalé da Praça 15, mas aí é que mora o perigo, que batizei de Síndrome da Fila de Autógrafos.  Funciona assim: aquele amigo dos velhos tempos está na fila esperando sua dedicatória. Ele vem chegando, vem chegando e, justamente quanto está mais próximo da mesa de autógrafos, surge aquele branco e você não consegue lembrar o nome do sujeito.  E ele vem chegando, vem chegando e apesar dos exercícios e relações feitas para que o nome brote, parece que, com a angústia, até fica pior.

Isso acontecia mais em temos pré post-it, aquele papelzinho colorido com o nome do agraciado, para orientar o autor.  Mas ainda hoje o velho amigo está plantado na tua frente, esperando teus garranchos e o tal papelzinho sumiu. Para essas situações bolei algumas estratégias como apelar para que soletre o sobrenome, torcendo para que não seja um Silva, Souza ou assemelhados. Ou então perguntar, como quem não quer nada, “como vão todos lá?”, na esperança que venha junto a lembrança do nome.

Na verdade, é preciso estar preparado para tudo, o que me lembra um episódio ocorrido com o saudoso professor Ruy Carlos Ostermann; Ele autografava um dos seus livros quando chega a vez de Roberto Casado D’Azevedo. Os dois trabalharam no Esporte da Zero Hora, mas o desamparado professor foi acometido da Síndrome da Sessão de Autógrafos. Para resolver a situação, perguntou educadamente ao Roberto:

- Para quem é o autógrafo?

- Para mim, respondeu o safo do Roberto,

Resposta que deixou o Ruy desconcertado, até que foi socorrido pelo próprio Roberto, Fosse eu que estivesse autografando sapecaria a dedicatória: “Ao Pra mim, com um abraço do Ruy”.  Claro que o  gentil professor não se prestaria a isso.

Outra angústia recorrente que ataca autores, inclusive os maios talentosos, é a Síndrome da Folha em Branco. As vítimas preferenciais são aquelas que tem prazo a cumprir , uma tela em branco na frente e as ideias para começar o texto não vem. Mas isso é assunto para outra coluna.

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