*Publicado nesta data en Coletiva.net
O grande show
era sábado no Beira-Rio, mas uma semana antes começaram a se instalar barraquinhas
na calçada do estádio na Padre Cacique. Era a espera da performance de Luan Santana na turnê
“Registro Histórico”. No sábado, as barraquinhas haviam se multiplicado
de forma exponencial e cedo da manhã já se formavam longas filas para entrar no
estádio, cujos portões abririam apenas às 4 da tarde com o início do show previsto
para 8 da noite.
O objetivo das chamadas “luanetes” é adentrar primeiro
e ficar junto a grade para curtir de perto o show do seu ídolo. E cantar junto todo o repertório,
especialmente o primeiro grande sucesso do jovem cantor, a música Meteoro.
A idolatria até consigo entender, mas foge a minha
compreensão esse sacrifício todo para desfrutarem duas horas ou mais em
posições desconfortáveis, banheiros inacessíveis, assédios e empurrões por
todos os lados e comendo sei lá o quê. Essa gurizada não estuda, não trabalha?
A melhor resposta e essas indagações encontrei no relatório da Nozy Content Agency, ( agência
de produção de conteúdo autoral e para marcas) segundo o qual as gerações mais
antigas tem como referência nomes como Cazuza, Belchior e Secos & Molhados,
enquanto os mais jovens estão mais conectados a artistas aos quais associam as suas experiências na pré-adolescência,
período de conflitos para muitos dessas jovens. Uma evidência disso é o fato de
que 52% dos entrevistados pela agência nunca terem ouvido Gal Costa e Ney
Matogrosso, 47% nunca ouviram Pink Floyd, e 30% não conseguiriam reconhecer uma
música do Queen, o que pode soar como heresia para os mais veteranos.
O relatório aponta ainda que os artistas preferidos
pelos jovens possuem forte presença nas redes sociais, compartilhando suas
vidas e dilemas com fãs que os acompanham. Segundo o levamento “esse comportamento aponta
para a importância de que artistas se conectem com sua base além dos palcos,
gerando conteúdo e conversas de forma autêntica”.
Acrescente-se a isso os 15 segundos de fama das
tomadas da TV ou das repetitivas abordagens dos repórteres, estabelecendo uma
competição sobre quem chegou mais cedo ou de mais longe.
Agora, resta
saber qual será a próximo evento a mexer com a gurizada, improvisar acampamentos
à espera do show e correrias rumo ao palco.
Nenhum comentário:
Postar um comentário