*Publicado nesta data em Coletiva.net.
Durante a Semana da Pátria me bate uma nostalgia dos tempos escolares,
quando desfilávamos garbosos na Parada da Mocidade. Os principais
colégios públicos e particulares mobilizavam seus alunos para o grande
dia, um domingo pela manhã antes do dia 7, que era reservado para o desfile militares.
Havia ensaios preparatórios e as grandes escolas
passavam as semanas afinando os dobrados das suas bandas marciais que puxavam o
desfile da gurizada. Lembro-me de um ano em que os alunos da quarta série
ginasial do Colégio Rosário desfilaram pela avenida Farrapos de terno e
gravata, sinalizando a formatura breve. E lá fui eu, com meu surrado
terno domingueiro, marchando nas primeiras filas, maldizendo quem tivera aquela
ideia para um dia de calor intenso.
Havia uma saudável disputa entre as bandas marciais. A
do Rosário competia fortemente com a das Dores, esta com Cláudio Brito à frente, que sempre foi considerada a mais qualificada.
Mas havia outras também afamadas como a do Colégio São João, a do
Julinho, até onde alcança a memória.
Na frente de todas perfilava-se o Mor da Banda, uma espécie de
maestro, e eventualmente um naipe de alunas com suas sainhas, pernas
de fora e acrobacias , imagens perturbadoras para aquele bando de adolescentes.
Depois vinham os instrumentistas - muitos metais e
percussão. Os novatos começavam tocando pífaros, o que até tentei no
Rosário, mas descobri que não tinha a mínima vocação. Musical. Foi
uma pena, porque o pessoal da banda tinha algumas regalias, eram bem avaliados
pelos professores e aqueles uniformes de soldadinhos de chumbo chamavam a
atenção das meninas. A mim restou o surrado terno domingueiro...
Hoje poucas bandas marciais resistem e até a chamada
Parada da Mocidade se resume a uma aglomeração de escolas infantis
desfilando nos seus bairros, com muito entusiasmo e pouca produção visual. Não
se fala mais em civismo ou patriotismo e até o termo Mocidade caiu em desuso,
ficando restrito às escolas de samba ou segmentos jovens de alguns
partidos. Hoje a moda é falar em Geração X, Y, Z , Alfa, Beta e
millenials e não me surpreenderia se os desfiles voltassem a ser realizados e a
gurizada passasse garbosa pela avenida tuitando seus IPads e celulares recém
lançados.
Sinal dos tempos, de modernidade sem
volta. Mas permitam-me curtir a nostalgia, de um tempo em que o
grande dissabor do menino que um dia fui era desfilar com o surrado terno
domingueiro.
(Apelar para o saudosismo é o refugio que resta nesses
tempos de crise institucional permanente no país)
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