quinta-feira, 26 de junho de 2014

Senhoras virtuosas



Estou em débito com as moças  casadas da repartição que reclamam insistentemente por não serem  citadas no ViaDutra. É verdade. Mas isso tem uma explicação lógica: as moças casadas, senhoras já, são exemplo de virtude, incapazes de uma falseta, nem mesmo em pensamento. Pelo menos as que tenho contato mais próximo, pelas quais coloco as mãos e os pés no fogo.

Então, que história diferente teriam para contar? Qual o fato picante que poderiam acrescentar sobre seus relacionamentos? Aqui vale a velha máxima do jornalismo: a notícia é o homem mordendo o cachorro e não o contrário. Por isso mantenho essa prudente distância em relação ao cotidiano delas. E do passado não ouso falar porque...por que mesmo? Porque a essa altura já não interessa, a não ser como fofoca e não é o nosso caso.

O que resta às senhoras, como a Lora, mãe e esposa exemplar, é dar conselhos às encalhadas, que ouvem com atenção, mas pelo jeito não aplicam as orientações recebidas, pois continuam tão encalhadas como aqueles navios cujos destroços adornam a costa gaúcha. A comparação pode ser forçada, mas insisto com ela em reconhecimento aos esforços de Lora para enquadrar suas colegas e amigas.

Mas não desistam meninas porque um dia o príncipe encantado vai surgir e se adonar de seus coraçõeszinhos românticos. Só não será australiano, holandês, francês ou nigeriano porque já foram embora e argentino, eu que saiba. Não se arrisquem.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Meu Tipo Inesquecível

Se um dia tiver que escolher o Meu Tipo Inesquecível, como naquela seção  da revista Seleções, a escolha recairia sobre o doutor Olecantro. Trata-se de um luminar das letras jurídicas e graças a isso ocupa posição de destaque na hierarquia de uma grande metrópole, sendo  acatado nas suas decisões e pareceres. Mais do que isso, ele se investiu em operador das situações e como tal tem sido muito presente e operoso.

Sucede que a grande metrópole se viu evolvida em um evento de proporções mundiais e o doutor Olecantro foi quem deu sustentação jurídica-operacional para um conjunto de ações paralelas que transformaram o evento em um sucesso retumbante. Focado nas suas atribuições, mas excedendo em todas as iniciativas, nosso personagem virou adrenalina pura.

No espaço de onde passou a coordenar as ações não restou pedra sobre pedra tanto nas questões mais complexas como nas prosaicas. Bloqueios e desbloqueios de trânsito, lá estava doutor Olecranto. Formação de filas à direita ou à esquerda, tudo com doutor Olecranto. Segurança no evento e no entorno, fale primeiro com o doutor Olecranto. Porta-voz de temas sensíveis ou nem tanto, chamem o doutor Olecranto.  Era o primeiro a chegar, inspecionando tudo e o último a sair, depois de disparar inúmeros telefonemas e  passar inquieto por todos os espaços numa cata obsessiva de eventuais problemas.

Esse furor em forma de executivo acabou contagiando toda a equipe em volta, que atua no diapasão do seu guru. Doutor Olecranto não busca reconhecimento. Ele esta acima dessas questões pequenas, porque o doutor Olecrabnto é um perfeccionista, um homem que vê a arvore mas descortina também a floresta, um sujeito que sabe deus e o diabo moram nos detalhes. Assim, Meu Tipo Inesquecível não poderia conviver com um evento que tivesse resultados menos superiores.

Entretanto, ainda resta uma nódoa no comportamento do  doutor Olecranto. É crescente o número de queixosos de que, como esta sempre alerta, ele liga para as pessoas nos horários mais inoportunos e não são poucas as vezes que tem interrompido o momento do bem-bom.

Aos queixosos, entretanto, tenho dado uma recomendação: não atendam o telefone. De última interromper aquilo para conferir o celular.


domingo, 22 de junho de 2014

A Copa da interação, de novo

Os comportamentos masculinos e femininos diante das hordas de estrangeiros em Porto Alegre tem suscitado teses que favorecem cada lado, dependendo de quem a propaga.  O naipe feminino advoga que os homens nativos estão aprendendo uma lição com a presença dos visitantes com quem  precisam dividir agora a atenção das nossas prendas , deixando de ser os bam-bam-bans do pedaço. Ao que parece havia muito ressentimento  recolhido que aflorou agora. 

Mas são teses e teses nem sempre tem correspondência com a realidade  e só volto ao assunto porque fui cobrado com veemência por minha colega Lem. Ela desfraldou a bandeira das mulheres portalegrenses e tem agitado nosso ambiente de trabalho com cobranças fortes, impondo seu ponto de vista no confronto homens x mulheres ditado pelo cenário desta que chamamos de Copa da interação - ou integração plena entre visitantes e os naturais, ou melhor, as naturais.
Tudo o que sei é que os australianos são a bola da vez.  Só se for na pratica amorosa porque no futebol deixam muito a desejar.  E parece que não gostam de tomar banho...e também já foram embora.

Mas o que me intriga  mesmo nesse contencioso é a reação das moças a uma estratégia que os homens estão adotando para fazer frente ao segundo plano a que foram relegados.  Consta que  eles tem vestido camisetas de seleções visitantes e saem a azarar o sexo oposto aplicando um inglês macarrônico ou um portunhol de novela.  E tem se dado bem pelos depoimentos que colhi, inclusive entre as moçoilas.
Tem que ser muito tansa pra cair numa dessas.  Decaíram no meu reconhecimento. Aviso as navegantes que não volto mais ao assunto, não insistam.

sábado, 21 de junho de 2014

Meninas, a Copa logo termina

Em casa, na repartição e fora dela sou uma ilha cercada de mulheres por todos os lados.  Nessa condição fico submetido a toda a sorte de ingerência e contestações femininas nas minhas decisões pessoais e profissionais.  Confesso que têm horas que me dá uma vontade de esganar umas e outras, mas minha natureza afável e meu perfil pacifico impedem essa solução cruel e radical. 

Nada disso interessa, entretanto, diante do cenário que está montado na cidade com a presença de milhares de visitantes estrangeiros a tentar nossos melhores quadros femininos. Só que, como convivo diariamente com um batalhão de mulheres, elas resolveram desacatar o naipe masculino local através da minha pessoa.  Por que eu, caríssimas? Talvez porque o vô seja um ouvinte paciente, capaz de aconselhar para o bem e também porque sabem que estou já na fase do “era bom”.

A verdade é que tenho ouvido histórias do arco. O pior são as teses, todas elas desqualificando os homens da nossa terra. Estamos em plena desvantagem neste momento em que o exógeno e o exótico atraem as atenções exatamente porque são exógenos e exóticos. A Cidade Baixa e a Padre Chagas viraram territórios estrangeiros, sem chance para os nativos. 

Mesmo não participando mais da disputa, estou solidário com meus iguais. O tempo é o senhor da razão e com isso quero dizer que a Copa logo  termina e os estrangeiros se vão, com seus pileques e seu descompromisso, enquanto os naturais aqui estarão para o que der e vier,  com seus defeitos e virtudes. E, vamos combinar, nada como uma comidinha caseira, sem trocadilho, please.


terça-feira, 17 de junho de 2014

O chapéu do Belo



Como já revelei em  postagem anterior a Copa em Porto Alegre tem propiciado histórias de interatividade entre nativos e visitantes impensáveis em outros tempos.  A última que me contaram – e como eles gostam de me fazer porta-voz dessas historias, nem sei porque – é a de um companheiro que se apaixonou perdidamente por uma bailarina que faz figuração no show do cantor Belo.

Não conheci a moça mas quem a viu descreveu tratar-se de um monumento em forma de mulher:  morenaça, cerca de 1m80, contrastando com nosso amigo que faz o tipo baixote;  dotada de um capilício de fazer inveja a Bruna Marquezine e ainda adornado por uma cintura fina. Além disso,  dona de um sorriso eroticamente convidativo.

Nosso amigo é baixote, mas atrevido e lá se foi ele sentar ao lado da deusa de ébano, no backstage da FanFest, a beira do Guaíba.  E tinha um amuleto poderoso:  um chapéu estilo Fedora, de couro legitimo, adquirido nas boas casas do ramo de Buenos Aires e que logo atraiu a atenção da moça.

- Que belo chapéu ! admirou-se, abrindo um sorriso com 32 dentes imaculadamente brancos e, como dissemos, eroticamente convidativo.

Estabeleceu-se então um diálogo que convenientemente não vamos reproduzir porque de um lado a moça insistia em ganhar o chapéu, enquanto o baixinho insinuava que queria algo em troca e não necessariamente seria dinheiro.

- Está bem,  rendeu-se ela, vou te proporcionar algo diferente.

O baixinho ficou todo assanhado, mas qual não foi a sua surpresa, o diferente era leva-lo a conhecer o cantor Belo. Pior, o artista também se apaixonou, só que pelo chapéu agora elevado a categoria de fetiche.
Belo garantiu que pagaria o que fosse para ficar com o Fedora, enquanto o baixinho perguntava o que levaria em troca, enquanto olhava lascivamente para a morenaça.

Resumo da ópera:  Belo ficou com o chapéu o nosso amigo ficou sem a dançarina.


Mas o baixinho é perseverante e já esta de viagem marcada para Buenos Aires, onde vai adquirir uma coleção de chapéus.  Depois vai percorrer o Brasil atrás dos shows do Belo, na verdade, atrás de uma morena calipigiana e de sorriso eroticamente convidativo. Vai que...

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Copa da interação

A Copa em Porto Alegre tem me permitido acesso a vários causos relatados por companheiros que tem contato permanente com  nativos e estrangeiros quando ambos estão em situação de interatividade, por assim dizer.

O mais recente relato trata de respeitado chefe de família que foi abordado na Cidade Baixa por um grupo de franceses, ávidos por sugestões de locais para se divertirem na noite que recém começava. Apanhado de surpresa, ao nosso amigo só ocorreu sugerir que prestigiassem afamada casa noturna na rua Olavo Bilac. “Perguntem pela Tia”, ocorreu ainda sugerir e, hospitaleiro como um bom gaúcho, ofereceu seu cartão de visitas caso precisassem de alguma orientação extra. No dia seguinte sua caixa de mensagens foi inundada de agradecimentos dos gringos.

De outra parte reina grande expectativa entre caldáveis de minhas relações, moças de predicados estéticos e morais, todas solteiras, com a presença dos holandeses, saudados como Adônis modernos. Sei não, do jeito que o orange people bebe acho que eles não terão muito tempo nem muita energia para dedicar às nossas queridas prendas, que precisarão se contentar mesmo com o produto regional. Esse não nega fogo, garanto.

Por fim, uma história acontecida na Fan Fest, que é o evento musical e de exibição dos jogos, paralelo à Copa do Mundo. Companheiro de trabalho descobriu que vários nativos vestiram uniformes de seleções estrangeiras para, assim, serem confundidos com turistas ao se apresentarem para as fanfestianas. Um deles, entretanto, logo foi desmascarado porque envergava a gloriosa camisa 7 de Portugal, com a inscrição CR 7 às costas, mas se traiu ao abordar uma pretendente, se puxando num portunhol.

- Como estás, Chica? Vienes siempre aca? Yo soy da tierra de Cristiano Ronaldo.

A conversa não prosperou porque a bonitinha era receptiva, mas não uma idiota completa pra cair na conversa do lisboeta da zona norte.

domingo, 8 de junho de 2014

Cidade do Mas

Conheço uma terra que deveria se chamar Cidade do Mas, onde o acessório ganha mais relevância que o principal, onde o que deveria ser um beneficio vira um transtorno. Pode ser uma obra importante, um  serviço que mude a vida das pessoas, um empreendimento inovador, não importa, sempre haverá um mas adversativo, puxando pra baixo, buscando defeitos, direcionando as atenções para o que é menor, mirando a árvore e não a floresta.

A Cidade do Mas é prima-irmã de Pequenópolis e Caranguejópolis, onde ocorrem fenômenos semelhantes.

O mas se aplica também a pessoas que, na ótica dominante na Cidade do Mas,  são imperfeitas nas suas virtudes, mas perfeitas nos seus defeitos. Não há  o que ou quem  transite impunemente pela Cidade do Mas.

Querem um exemplo material:  um viaduto foi construído para melhorar o trânsito e determinada região da Cidade do Mas, mas o que mais se discutiu foi o atraso de uma semana na entrega da obra e, depois, sobre o significado de uma letra (por sinal M, de mas) que sustenta os estais da obra e que seria uma assinatura do autor do projeto. 

Os dois grandes clubes de futebol da Cidade do Mas são vítimas recorrentes do mas.  Seus times podem golear, mas sempre haverá um mas...faltou articulação entre os setores, o técnico errou na substituição e por aí afora.  Neste caso, o mas adquire uma dimensão por vezes incontrolável,  pois mexe com o emocional contido na paixão do futebol.

Essa deformação comportamental já existia na Cidade do Mas, mas foi radicalizada pelas redes sociais que deram vez e voz a todos, mas isso vem sendo usado mais para a desqualificação do para o reconhecimento do que é positivo.


O ViaDutra adverte:  o mas é contagioso e pode fazer mal as relações pessoais.

domingo, 18 de maio de 2014

No tempo das Ondas Curtas


Certo dia na redação de esporte da gloriosa Rádio Guaíba dos anos 70, o Augustinho Licks, profetizou, com conhecimento de causa, o fim das Ondas Curtas (OC). “Nos Estados Unidos sintonizar ondas curtas é coisa de excêntrico”, explicou o Augustinho, que já era músico consagrado  e, à época, emprestava seu talento na edição dos programas esportivos.
Ninguém na Guaíba levou  a sério aquela previsão. Ao contrário, havia todo um esforço para manter as valorizadas ondas curtas de 31 e 49 metros, que eram o principal elo de ligação com os milhares de gaúchos desgarrados Brasil afora.  Eram de emocionar os relatos dos encontros dos profissionais da Guaíba, em eventuais transmissões no interiorzão do Pais, com os gaúchos que foram colonizar terras distantes. No interior do estado e Brasil afora era comum o pessoal ir ao estádio com seus radiões, preferindo o vai e vem das ondas curtas da rádio de fora em detrimento da emissora local.
Os receptores Transglobe Philco eram disputados porque comportavam várias ondas. Enquanto manuseava suas fichas e gritava “Tem gol!”, o  Antônio Augusto, pai de todos os plantões, conseguia trabalhar  com dois transglobes ao mesmo tempo, sintonizados em grandes emissoras nacionais como a Globo e a Bandeirantes, que por sua vez sintonizavam a Guaíba e a Gaúcha, como a maioria das rádios de outros estados,  para acompanhar os jogos daqui. A Loteria Esportiva, em seus tempos de glória, fomentou e sustentou esse processo pela necessidade de informar o andamento dos 13 jogos do teste semanal da loteca. Em uma viagem aos Estados Unidos o grande Armindo Ranzolin, um entusiasta das OCs,  trouxe mais dois rádios, dos modelos mais modernos e foi uma festa na retaguarda da Guaíba.
Tanto na Guaíba como na Gaúcha, trabalhando cerca de sete anos em cada uma, fui responsável pela relação com a rede de emissoras que retransmitiam as jornadas esportivas e a maioria se lincava através das ondas curtas. O som deixava a desejar, mas havia magia naquela instabilidade sonora que expressava o tom épico do rádio de então.
Hoje, em tempos de Internet e no limiar da migração da radiodifusão para o digital, poucas emissoras ainda distribuem suas programações em Ondas Curtas ou Ondas Tropicais. Mesmo as emissoras internacionais que propagavam cultura e ideologia em vários idiomas desativaram seus serviços que exigiam grandes investimentos. Engana-se, porém, quem acha que as OCs vão morrer.  A prática de se ouvir rádio,  em especial em OC, continua muito viva, ainda desempenhando papel fundamental na comunicação mundial, uma vez que se constitui  no único meio de transmissão de mensagens entre os continentes sem a necessidade de satélite.  Pra se ter uma ideia da dimensão do que isso significa,  se algum dia a Internet parar funcionar, a velha e boa OC vai ser a salvação em termos de comunicação mundial.
Nos Estados Unidos, por exemplo,  a retomada das ondas curtas  se deve a Guerra do Golfo. A venda de aparelhos com faixa OC cresceu 40% depois que uma bomba atingiu, em Bagdá, o prédio responsável pela geração de informação por satélite. Por um tempo, só as OCs traziam notícias do conflito, o que causou corrida aos rádios equipados com a onda.
*Com certeza  a importância das OCs seria mais bem explicadas pelo mestre Luiz Artur Ferrareto (radionors.wordpress.com), estudioso do meio rádio,  a quem o ViaDutra presta tributo.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Sobre traição e outros papos

Encontro com aquela minha amiga expansiva, mais as adoráveis Cali e Andara, e  o assunto deriva para a infidelidade masculina e feminina. Foi quando ouvi uma sentença definitiva sobre  tal situação e a revelação de casos tragicômicos.

- Mulher traída é vítima, homem traído é um  mero corno – foi o que ouvi da moça expansiva.


Tentei argumentar, emendei um “veja bem...”, mas como estava em minoria recolhi-me a um silencio obsequioso e fiquei ouvindo as histórias.


Uma delas dá conta do sucedido com famoso corrupto da nação que quis fazer um agrado à namorada, deslumbrante ex-miss gaúcha, e presenteou-a com  um refrigerador de última geração. Por cautela, comprou outro com as mesmas características para a esposa. Só que para a garota o equipamento deveria ir recheado de espumantes da melhor qualidade, enquanto para a titular o safado não providenciou nem mesmo um potezinho de iogurte, embutidos, patê, mortadela ou uma latinha de Kaiser.
Ocorre que o entregador trocou os destinatários e a titular, certa de que o surto de romantismo expresso pelos espumantes não lhe dizia respeito, acabou descobrindo tudo, provocando a separação. O que me leva a conclusão que a má qualidade na prestação de serviços tupiniquim conspira contra sólidos relacionamentos. Pensando bem, dar refrigerador de presente pra namorada é uma fria.

Uma história puxa outra e  logo surgiu a lembrança do engenheiro catarinense que embolsou uma grana preta em obras públicas e fugou para o exterior com a namorada, mas acabou localizado ao aparecer na TV por ocasião de um jogo de vôlei da seleção brasileira na Espanha. O cara era corrupto, mas muito patriota e torcia com entusiasmo pelos rapazes do vôlei verde amarelo quando a casa caiu.
Tentei novamente participar da conversa, defendendo a tese de que o complexo de culpa levava esse pessoal a se expor para ser apanhado, como fazem alguns amantes, deixando pistas de suas safadezas. Quase emendei o tradicional ‘Freud explica’ mas novamente caçaram minha palavra. E novamente o fizerem com um veredito arrasador.

- Infiel e corrupto burro não tem futuro.
Foi então que me recolhi outra vez ao silêncio obsequioso, enquanto as três lambisgoias detratavam mais alguns parceiros que lamentavelmente não pude defender.

 

sábado, 10 de maio de 2014

O rei das ofertas

Herdei de meu pai o hábito de buscar  as ofertas  e promoções nas lojas e supermercados.  O saudoso Coronel  Dastro (assim era conhecido e tratado, embora fosse tenente-coronel) não resistia aos preços baixos do leite e comprava caixas e caixas; azeite em oferta e a dispensa no porão da morada dos Dutra na rua Ivo Corseuil se enchia de latas de Merlin ou Primor, as marcas da época;  feijão e arroz com preço convidativo e a prateleira quase vergava ao peso dos não-perecíveis adquiridos.  Era tanta quantidade que o bom Coronel, tido como mão fechada, ficava generoso e apelava aos filhos para que levassem parte dos produtos.

A busca pelo melhor preço, por certo,  deve ter sido resultado dos tempos de penúria, quando o oficial da Brigada Militar, do qual se orgulhava, não era valorizado nos seus salários, diferente de hoje.   Além disso,  havia uma escadinha de filhos para alimentar, vestir e prover educação.  Mas sobrevivemos todos, bem nutridos e bem formados, àqueles tempos difíceis.
Pois, apesar de tudo, não enfrentei tantas dificuldades graças aos esforços dos pais, mas a atenção  às ofertas e promoções  passou à geração seguinte e me escolheu para dar seguimento à prática. Comecei meio enviesado, escolhendo a cerveja e o vinho nas gôndolas promocionais, mas muitas dores de cabeça depois, passei a refinar os hábitos e escolher ofertas com padrões mais elevados.  Nesse caso, o barato sai caro no dia seguinte.
Hoje, registro com satisfação que algumas das minhas melhores  camisas azuis foram adquiridas em promoções nas boas casas do ramo, como aquela que a etiqueta indicava custar R$ 9,90, um preço tão ridículo que me vi obrigado a comprar junto um par de meia a R$ 19,90 para não passar vergonha com as moças da caixa.  Vale o mesmo para minhas jaquetas preferidas, em quantidade maior do que  preciso, mas a maioria adquiridas sob impulso da palavra mágica – Promoção.  No exterior, dou preferência aos outlets e não tenho motivos para arrependimento.
Quem me conhece sabe que não sou mão de vaca, mas sou compulsivo diante das rebaixas., como se vê.  E tanto sou generoso que vou socializar a oferta do fim de semana no Zaffari: vinhos da bodega Casa Silva,  carmenere e cabernet  sauvignon, de honestas vinhas chilenas, a R$ 24,90. Levando dois, sai por R$ 22,90.  Levei  dois, é claro.